O ator Gabriel Leone lança seu primeiro álbum

O ator Gabriel Leone lança seu primeiro álbum como cantor, “Minhas lágrimas”, em 6 de março de 2024, pelo selo MP,B, evidenciando sua transição da atuação para a música com repertório focado no tema do desamor. A produção musical do disco ficou a cargo de Marcus Preto e Tó Brandileone, que orquestraram as dez faixas com arranjos que mesclam MPB e rock de atmosfera indie.
Leone, conhecido por ter participado de trilhas sonoras nos últimos dez anos, estreia oficialmente como intérprete solo com canções selecionadas do universo dos lados B da música popular brasileira. Sua voz afinada e a interpretação sensível se destacam no entendimento e entrega das letras, construindo a identidade do disco.
A produção do álbum envolve uma big band composta por músicos como Agenor de Lorenzi (piano, órgão e sintetizadores), Fábio Sá (baixo), Filipe Coimbra (guitarra) e outros, que colaboraram com arranjos que utilizam cordas e metais de forma equilibrada, sem exageros, a serviço das músicas.
O repertório se inicia com “Cara limpa”, samba de Paulo Vanzolini (1974), marcado por arranjo que combina minimalismo e peso do rock ao longo da faixa, estabelecendo a linha do álbum, que explora sentimentos como resignação e vazio, expressos na letra e na interpretação de Leone.
“Minhas lágrimas” incorpora a música-título de Caetano Veloso, lançada em 2006, que encerra o disco e reforça o conceito de desamor e introspecção predominante nas faixas. Outros destaques são “Choro das águas” (Ivan Lins e Vitor Martins, 1977), com arranjo emotivo, e “Segredo” (Djavan, 1986), que ganha uma introdução com suingue funky.
A faixa “Êta nóis” (Luhli e Lucina, 1984) traz colaboração de Ney Matogrosso, intérprete original, e contrasta com o restante do álbum por ser menos melancólica, oferecendo um breve alívio emocional dentro do tema central. “Nós dois” (Celso Adofo, 1983), lançada em single em dezembro de 2023, destaca-se pela melodia delicada e pelo lirismo.
No espectro das influências, o disco traz ainda “Antes da chuva chegar” (Guilherme Arantes, 1976), com arranjo que remete ao rock progressivo da época, e “Assim sem mais” (João Bosco, Antônio Cícero e Waly Salomão, 1991), que traz uma aura de indie-rock e blues, explorando sentimentos de inadequação e solidão.
“Bolero de Satã” (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976) soma elementos rascantes ao álbum, enquanto o canto de Leone transmite tensão sem recorrer ao melodrama. A faixa prepara o encerramento épico com “Minhas lágrimas”, que conclui o trabalho com peso emocional elevado.
O álbum mostra Gabriel Leone em uma nova faceta artística, projetando uma voz que equilibra técnica e sensibilidade, e que entende a profundidade das composições apresentadas. A produção musical cuidadosa e os arranjos variados sustentam o conceito do disco, que gira em torno dos desertos da alma e do desamor.
Com “Minhas lágrimas”, Gabriel Leone consolida a transição para a carreira musical, oferecendo um trabalho que valoriza a interpretação e o arranjo musical dentro do universo da MPB contemporânea misturada a elementos do rock e do blues.
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Palavras-chave: Gabriel Leone, Minhas lágrimas, álbum de estreia, produção musical, Marcus Preto, Tó Brandileone, MPB, desamor, música brasileira, rock indie, críticas de álbum
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com