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Raimundo Fagner lançou nesta quarta-feira (6) o álbum

Raimundo Fagner lançou nesta quarta-feira (6) o álbum
  • Publishedmarço 6, 2026

Raimundo Fagner lançou nesta quarta-feira (6) o álbum “Bossa nova”, produzido e arranjado por Roberto Menescal, que reúne regravações de dez músicas associadas ao movimento musical surgido em 1958. O lançamento ocorre após o concerto problemático de Fagner no Rio de Janeiro, em setembro de 2025, quando o cantor apresentou dificuldades em se adaptar ao estilo.

Roberto Menescal, referência da bossa nova, também participou da produção e arranjos do álbum “Bossa sempre nova”, de Luísa Sonza, lançado em janeiro deste ano. A comparação entre os dois discos é inevitável, dado o envolvimento do produtor em ambas as obras e o tema central da bossa nova.

No álbum de Fagner, o cantor buscou adequar sua voz normalmente mais áspera à suavidade característica do gênero, ajustando a emissão vocal e enfatizando os graves. A abertura com “Chega de saudade” demonstra essa tentativa de adaptação, ainda que a performance soe apenas correta, sem captar plenamente o balanço típico da bossa nova.

O disco apresenta momentos de destaque, como a participação de Zeca Baleiro no dueto “Tereza da praia”, que traz uma sanfona tocada por Marcos Nimrichter, elemento pouco comum nos arranjos tradicionais do estilo. O pianista Antonio Adolfo assinou esse arranjo, apesar da resistência inicial de Menescal à inclusão do instrumento.

Outra colaboração do álbum é com Wanda Sá em “Samba em prelúdio”, onde a suavidade vocal de Wanda contrasta com a interpretação de Fagner, que mostra menos intensidade. A obra também traz uma participação do compositor Marcos Valle em “Samba de verão”, faixa que evidencia a diferença entre o estilo vocal do cantor e a leveza usual da bossa nova.

A banda que acompanha Fagner, composta por músicos como Adriano Gifoni (baixo), Adriano Souza (piano) e João Cortez (bateria), reforça o clima do gênero. Menescal também toca violão em oito das dez faixas, contribuindo diretamente para a ambientação sonora do álbum.

Faixas como “Wave” e “Águas de março”, ambas de Antonio Carlos Jobim, ganham arranjos que destacam a gaita de Rildo Hora, adicionando elementos de jazz que permeiam o universo da bossa nova. O samba “Rio”, de Menescal e Ronaldo Bôscoli, aparece como um dos momentos em que a entrega de Fagner se aproxima do ritmo esperado.

Porém, a interpretação geral de Fagner permanece formal e pouco expressiva, o que limita a sensação de envolvimento que a bossa nova costuma proporcionar. O álbum não provoca encantamento, mas também não apresenta erros, configurando-se como uma obra correta dentro do gênero.

“Bossa nova” serve para apagar a má impressão deixada pelo show do cantor em 2025, ao oferecer uma experiência sonora mais alinhada às expectativas do público e dos apreciadores do estilo. A produção cuidadosa de Menescal e a banda bem entrosada garantem a consistência do disco, ainda que o intérprete não alcance totalmente o espírito original do movimento.

Em resumo, o álbum contribui para a valorização do repertório clássico da bossa nova, com reinterpretações que respeitam a tradição, mesmo que, no canto, Raimundo Fagner não consiga renovar ou ampliar a leitura das canções.

Palavras-chave: Raimundo Fagner, Bossa nova, Roberto Menescal, álbum, produção musical, regravações, música brasileira, jazz, arranjos, Zeca Baleiro, Wanda Sá, Marcos Valle, Antonio Carlos Jobim, música popular brasileira, Biscoito Fino, crítica musical.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Vitor Souza

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