O preço da terra no Brasil varia entre R$ 1 mil e R$ 2 milhões por hectare, dependendo da localização, finalidade e características da propriedade, segundo o Atlas do Mercado de Terras divulgado em dezembro de 2025 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A pesquisa utiliza dados de dezembro de 2024 para analisar os fatores que influenciam o valor das terras agrícolas e não agrícolas no país.
O levantamento aponta que o valor médio nacional do hectare é de R$ 22.951,94, já descontados preços extremos que poderiam distorcer a média. Esse valor representa um aumento de 28% em relação a dezembro de 2022. A variação de preços está relacionada principalmente ao potencial produtivo, à facilidade logística e às condições ambientais das regiões.
No Sudeste, a região da Mogiana, em São Paulo, apresenta preços elevados. O hectare agrícola custa, em média, R$ 80.911,18, enquanto áreas não agrícolas, que podem ser usadas para lazer ou expansão urbana, alcançam valores superiores a R$ 2,4 milhões. A região tem destaque na produção de café e cana-de-açúcar e acesso a mercados consumidores.
No Sul, estados como Santa Catarina registram preços de terra agrícola acima de R$ 100 mil por hectare, especialmente em áreas com potencial para pecuária e cultivo de grãos, como em Xanxerê, onde o valor médio chega a R$ 173.298,67. A valorização está atrelada à infraestrutura e à proximidade com centros de consumo.
Na Região Metropolitana do Maranhão, no Nordeste, os preços médios chegam a R$ 299.279,01 por hectare em terras agrícolas, valor impulsionado pela localização estratégica próxima a portos e pela integração ao Matopiba, importante polo agrícola composto ainda por Tocantins, Piauí e Bahia. Em áreas não agrícolas dessa região, o valor pode atingir até R$ 405.641,35 por hectare.
Por outro lado, regiões do Norte e Nordeste apresentam os menores valores médios. No Oeste Amazonense, o preço por hectare agrícola é de aproximadamente R$ 1,5 mil, devido ao isolamento geográfico, logística limitada e rigor das restrições ambientais relacionadas a unidades de conservação e terras indígenas. A baixa demanda e dificuldades para o escoamento reduzem o interesse dos investidores e mantêm os preços baixos.
O estudo destaca que o preço da terra depende de múltiplos fatores. A produtividade do solo, a topografia e a disponibilidade de água influenciam diretamente nos valores das propriedades. Além disso, a economia local, incluindo expectativas de retorno e custos de manutenção, impacta a valorização. A logística, por meio da proximidade de rodovias, ferrovias, portos e agroindústrias, é crucial para definir o valor, assim como a situação legal da área, que considera restrições ambientais e possíveis conflitos fundiários.
Entre as tendências para os próximos anos, o Incra aponta valorização em polos agrícolas consolidados, como Mato Grosso e o Matopiba, impulsionada pelo avanço da infraestrutura, incluindo projetos como a Ferrovia Norte-Sul, e a entrada de novos investidores no setor. Já em áreas de preservação ambiental ou marcadas por conflitos fundiários, a previsão é de manutenção ou queda nos preços devido à baixa demanda.
O levantamento do Incra oferece um panorama detalhado do mercado de terras no país, evidenciando as disparidades regionais e os fatores que influenciam o custo da terra para diferentes usos. Essa informação é fundamental para agricultores, investidores e formuladores de políticas públicas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

