O pianista Gilson Peranzzetta e a cantora Fabiana Cozza apresentaram o show “Cores de Caymmi” no dia 5 de março de 2026, no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro, oferecendo uma nova interpretação do cancioneiro de Dorival Caymmi. A iniciativa buscou revelar diferentes nuances das composições do músico baiano, preservando suas melodias e ampliando as possibilidades harmônicas.
O espetáculo marcou a abertura da temporada 2026 do Espaço Cultural BNDES, que mantém programação gratuita para o público carioca. O projeto reuniu a experiência de Peranzzetta, que completaria 80 anos em abril, com a voz da cantora Fabiana Cozza, que celebrou 50 anos em janeiro daquele ano.
No palco, Peranzzetta iniciou o show sozinho, executando ao piano uma suíte instrumental que unia os sambas “Dois de fevereiro” (1957), “A lenda do Abaeté” (1948) e “Canção da partida” (1957). Os arranjos exploraram caminhos harmônicos distintos, mantendo a integridade das melodias originais.
Ao longo da apresentação, Peranzzetta contou com o apoio do baixista Alexandre Cavallo e do baterista Ricardo Costa, especialmente nas passagens com influências jazzísticas em temas como “Saudade da Bahia” (1957). O momento instrumental mais polêmico foi o de “Marina” (1947), cujos arranjos afastaram-se da estrutura tradicional do samba-canção, segundo explicou o pianista.
Fabiana Cozza entrou em cena para dar voz às composições, interpretando clássicos como “Você já foi à Bahia?” (1941), “Vatapá” (1944) e “Dora” (1945). Sua abordagem valorizou a suavidade, diferenciando-se das versões mais intensas já tradicionais, como as de Nana Caymmi. A cantora também recorreu a arranjos que ressaltavam a ancestralidade presente nas obras de Caymmi, especialmente em “Canoeiro” (1944).
O repertório incluiu ainda números como “A vizinha do lado” (1946), “Morena do mar” (1967) e “Samba da minha terra” (1940), a última executada com a participação espontânea do público. Em todas as interpretações, a interação entre canto e piano foi fundamental para o equilíbrio do espetáculo.
O bis contou com a execução de “Canto de Ossanha” (1966), de Baden Powell e Vinicius de Moraes, encerrando a apresentação com elemento de diálogo entre diferentes vertentes da música brasileira.
O espetáculo “Cores de Caymmi” se destacou por respeitar a obra original de Dorival Caymmi, ao mesmo tempo em que propôs releituras que ampliaram a percepção sobre o cancioneiro do compositor. A produção contribuiu para manter viva a tradição, estimulando novas audiências e apreciadores da música popular brasileira.
Público e críticos observaram que a combinação da experiência instrumental de Gilson Peranzzetta com a interpretação vocal de Fabiana Cozza proporcionou um panorama diverso e fiel às raízes baianas presentes nas composições selecionadas.
O show segue em circulação e deve ser apresentado em outras cidades, permitindo que mais pessoas tenham acesso à proposta musical que reinterpreta Dorival Caymmi sem descaracterizar suas marcas essenciais.
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Fonte: g1.globo.com
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