O fluxo de capital estrangeiro voltou a impulsionar

O fluxo de capital estrangeiro voltou a impulsionar a bolsa brasileira em 2026, mas a escalada da guerra no Oriente Médio em outubro trouxe volatilidade e dúvidas sobre a continuidade desse movimento. Entre janeiro e setembro, investimento externo na B3 somou R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume da última década, o que ajudou o Ibovespa a superar os 190 mil pontos antes do conflito.
A tensão internacional provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana passado fez o Ibovespa recuar cerca de 4,41%, caindo para a faixa dos 180 mil pontos. Esse movimento reflete o fenômeno conhecido como “flight to quality”, em que investidores realocam recursos de mercados de maior risco para ativos considerados seguros, como o dólar e o ouro.
O retorno do capital estrangeiro ao mercado brasileiro foi motivado por fatores estruturais, como a alta taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Além disso, ações brasileiras passaram a ser avaliadas como baratas em relação a empresas de países desenvolvidos, atraindo investidores em busca de oportunidades. A diversificação das carteiras, com investimentos em economias emergentes, e o aumento da liquidez global também contribuíram para essa movimentação.
Em janeiro, a entrada de recursos estrangeiros na bolsa somou R$ 26,4 bilhões, volume que cresceu para R$ 16,9 bilhões em fevereiro, totalizando R$ 42,56 bilhões nos dois primeiros meses do ano. Mesmo com a desaceleração recente, esse é o terceiro maior montante registrado para o período na última década, ficando atrás apenas de 2022, quando o investimento externo atingiu R$ 119,7 bilhões ao longo do ano.
O aumento do capital estrangeiro foi determinante para o Ibovespa registrar 13 máximas históricas entre janeiro e fevereiro de 2026. A alta dos preços das ações refletiu o interesse dos investidores internacionais diante das perspectivas econômicas brasileiras.
Especialistas avaliam que o investimento estrangeiro pode continuar em 2026, apesar da instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio. Flávio Conde, analista da Levante Inside Corp, aponta a perspectiva de redução gradual da Selic, o valor das ações em dólar e o aumento do risco nos mercados dos Estados Unidos como fatores que mantêm a atratividade do Brasil.
Conde destaca que, caso o conflito se intensifique, o fluxo de recursos pode desacelerar, mas dificilmente será interrompido ou revertido em saídas significativas. Ele prevê que o Ibovespa pode retomar a trajetória de alta e testar a marca dos 200 mil pontos no médio prazo.
Por outro lado, Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, observa que o cenário internacional pode limitar o fôlego da bolsa brasileira no curto prazo. Segundo ele, a tendência global de busca por ativos seguros — dólar, ouro e títulos públicos — tende a crescer com a escalada do conflito, diminuindo o apetite por riscos.
Belitardo ressalta que a pressão sobre as bolsas e o aumento no preço do petróleo são comuns em períodos de conflito, o que pode reduzir a liquidez e o desempenho do Ibovespa. Se o movimento de “flight to quality” prevalecer, investidores retirarão recursos de mercados emergentes, como o brasileiro, em favor de ativos mais conservadores.
Em resumo, apesar da forte valorização no início de 2026, o futuro do Ibovespa permanece sujeito aos rumos da geopolítica internacional. O investimento estrangeiro não deve cessar, mas sua intensidade poderá variar conforme a evolução da guerra no Oriente Médio e suas repercussões globais.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com