O escritor português António Lobo Antunes, um dos autores lusófonos mais traduzidos e reconhecidos internacionalmente, morreu aos 83 anos nesta quinta-feira (5), informou sua editora, o Grupo Leya. A editora confirmou o falecimento e afirmou que divulgará uma nota oficial de condolências.
Nascido em 1942 em Lisboa, Lobo Antunes foi médico militar durante a guerra colonial em Angola no início da década de 1970. Após seu retorno a Portugal, atuou como psiquiatra em um hospital lisboeta antes de se dedicar integralmente à literatura a partir de 1985.
Ele publicou cerca de 30 romances ao longo de sua carreira e recebeu em 2007 o Prêmio Camões, a principal distinção literária da língua portuguesa. Seu segundo romance, “Os cus de Judas” (1979), marcou sua consagração ao tratar da experiência da guerra colonial em Angola, por meio do monólogo de um combatente retornado.
A obra de Lobo Antunes é marcada por um estilo barroco e metafórico que mistura romance, poesia e elementos autobiográficos. Seus textos traçam um retrato da sociedade portuguesa contemporânea, revelando ironicamente os conflitos internos após meio século de ditadura e as desilusões subsequentes à chegada da democracia em 1974, como exemplificado em “Manual dos Inquisidores” (1996).
Casado duas vezes e pai de três filhas, o escritor enfrentou o câncer em três ocasiões diferentes, sem interromper sua produção literária, que muitas vezes alcançava quase um romance por ano. Nos últimos anos, ele havia reduzido a publicação de novos trabalhos.
Há relatos não confirmados por seu entorno sobre um possível quadro de demência, como apontado por um jornalista que acompanhou o autor em uma série de entrevistas. Contudo, tais informações não foram oficialmente reconhecidas pela família ou pela equipe próxima a ele.
A morte de António Lobo Antunes encerra uma trajetória importante dentro da literatura portuguesa moderna, marcada pela ampla influência no campo das letras lusófonas e o reconhecimento internacional de sua obra.
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Fonte: g1.globo.com
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