Economia

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra
  • Publishedmarço 5, 2026

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que completa cinco dias no Oriente Médio, pode elevar o preço dos alimentos no Brasil nos próximos meses devido ao aumento dos custos de produção agrícola. Economistas apontam que a alta nos fertilizantes, o fechamento do Estreito de Ormuz e a elevação do preço do diesel pressionam os produtores e podem repassar custos aos consumidores.

A produção agrícola brasileira depende em grande parte de fertilizantes importados, sendo o Oriente Médio uma fonte importante dessas matérias-primas. Com o início do conflito, as cotações dos fertilizantes já subiram, refletindo a redução na oferta e a suspensão temporária das vendas por parte dos produtores da região. O contrato futuro da ureia no Brasil, por exemplo, registrou alta de US$ 39 em apenas um dia.

Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma das principais rotas comerciais de petróleo e fertilizantes, forçou navios brasileiros a realizarem trajetos alternativos, o que aumentou os custos do transporte marítimo. Esse desvio eleva as despesas com frete, seguro e armazenamento, afetando tanto os custos de exportação quanto os internos.

O petróleo, outro produto originado da região, também teve seu preço impactado, elevando o custo do diesel. Com isso, os produtores brasileiros enfrentarão despesas maiores para operar máquinas agrícolas e transportar os alimentos até os portos. A colheita da soja, operação em andamento desde janeiro, já pode enfrentar dificuldades logísticas.

O impacto nos custos ocorre num momento em que os agricultores brasileiros lidam com juros altos e dificuldades para acesso ao crédito. O professor Leandro Gilio, do Insper Agro Global, destaca que o efeito será sentido inicialmente pelo produtor e só deve chegar ao consumidor com algum atraso, podendo perdurar enquanto o conflito continuar.

Por outro lado, alguns analistas, como Felippe Serigati, da Fundação Getúlio Vargas Agro, alertam que ainda é cedo para dimensionar o impacto total. Essa avaliação considera fatores que podem aliviar o mercado, como a queda do dólar neste ano e o clima favorável à produção agrícola.

O ciclo da safra brasileira indica que os maiores efeitos do aumento dos preços dos fertilizantes brasileiras ocorrerão a partir do segundo semestre, quando os produtores adquirem insumos para as plantações seguintes. Diferentemente dos Estados Unidos, onde a compra dos insumos ainda está em andamento, o Brasil já garantiu fertilizantes para a safra atual.

No cenário internacional, o Oriente Médio é responsável por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das de amônia, substâncias essenciais para a agricultura. Países como Arábia Saudita, Israel e Irã figuram entre os fornecedores da região que afetam os preços globais, tornando a situação particularmente sensível à instabilidade local.

As exportações brasileiras, principalmente de produtos como frango, carne bovina e açúcar, também enfrentam dificuldades por conta do conflito. Navios que transportam mercadorias para o Oriente Médio têm sido redirecionados e atrasados, o que eleva os custos para embarcadores. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revelou que contêineres com carne permanecem retidos em rotas alternativas mais caras e demoradas, com cobrança de taxa adicional de “guerra” pelas companhias marítimas.

Os Emirados Árabes Unidos são os maiores compradores brasileiros de frango na região, seguidos por Japão e Arábia Saudita. Outros parceiros relevantes incluem Kuwait, Catar, Omã e Iêmen. O Irã, que figura entre os maiores compradores de milho brasileiro, deverá começar a receber embarques somente a partir de junho, o que pode ser afetado pelo prolongamento do conflito.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também manifestou preocupação com o prolongamento da guerra, já que cerca de 10% das exportações brasileiras de carne têm destino no Oriente Médio. Além disso, entre 30% a 40% dos embarques passam pela região a caminho de mercados no Sudeste Asiático e China, aumentando os riscos logísticos e financeiros.

Os produtores brasileiros buscam alternativas para reduzir a dependência do Oriente Médio, como a importação de fertilizantes do Canadá, mas o cenário segue instável e os preços tendem a se manter elevados. Segundo especialistas, o conflito no Oriente Médio gera uma pressão adicional sobre uma cadeia produtiva já afetada por outras adversidades, o que pode resultar em aumento nos preços finais dos alimentos para o consumidor brasileiro.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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