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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em entrevista coletiva em Moscou, nesta quarta-feira (19), que o país pode interromper o fornecimento de gás para a Europa em função da alta nos preços da energia causada pela crise no Irã e pela postura da União Europeia de banir as importações de gás russo.
Putin associou o aumento dos preços do petróleo e do gás à crise no Oriente Médio, provocada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e às ações iranianas contra países do Golfo. Segundo ele, esses conflitos afetaram a navegação no Estreito de Ormuz e causaram a paralisação da produção de gás natural liquefeito (GNL) no Catar e da maior refinaria da Arábia Saudita.
O presidente russo destacou que os preços do petróleo estão altos devido à “agressão contra o Irã” e às sanções ocidentais contra o petróleo russo. Além disso, explicou que o aumento no preço do gás na Europa ocorre porque os consumidores europeus pagam valores maiores para garantir o suprimento diante da instabilidade no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz.
Questionado sobre o plano da União Europeia de proibir, até 2027, a compra de gás natural russo por gasodutos e, a partir de 2026, os contratos de curto prazo de GNL, Putin afirmou que pode ser mais vantajoso para a Rússia suspender o fornecimento ao mercado europeu e focar em outras regiões em crescimento.
“Agora outros mercados estão se abrindo. Talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento, para entrarmos nesses mercados e nos estabelecermos neles”, declarou Putin, conforme trecho divulgado pelo Kremlin. Ele ponderou que a decisão ainda está em análise e que o governo russo trabalhará com as empresas do setor para avaliar a situação.
Putin relacionou a possível interrupção do fornecimento de gás às “políticas equivocadas” adotadas pela União Europeia em meio à redução da dependência energética russa. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, Moscou perdeu a maior parte do mercado europeu de energia. Outros fornecedores, como Noruega, Estados Unidos e Argélia, passaram a ocupar esse espaço.
Antes dessa mudança, a Rússia fornecia cerca de 40% do gás natural consumido pela União Europeia por meio dos gasodutos. Segundo dados da própria UE, essa participação caiu para 6% no último ano. A gigante russa Gazprom, que em 2007 era a terceira maior empresa do mundo em valor de mercado, com US$ 330 bilhões, hoje vale cerca de US$ 40 bilhões.
Putin afirmou que a Rússia sempre foi um fornecedor confiável e que a elevação nos preços do gás está ligada ao aumento da demanda motivado pela crise do Irã e pela interrupção no Estreito de Ormuz. Ele destacou que clientes em outros mercados estão dispostos a pagar preços elevados por grandes volumes de energia russa.
“Se surgirem compradores desse nível de qualidade, acredito que fornecedores tradicionais como os americanos deixarão o mercado europeu para buscar mercados que paguem mais”, acrescentou o presidente russo.
Diante da redução das exportações para a Europa, a Rússia tem direcionado suas vendas de petróleo, gás natural canalizado e GNL principalmente para a China, que é o maior consumidor e importador de energia do mundo.
A situação segue em desenvolvimento, com o governo russo avaliando os próximos passos em meio às mudanças geopolíticas e econômicas globais.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com