Dois terços de Cuba, incluindo a capital Havana

Imagem: s2-g1.glbimg.com

Dois terços de Cuba, incluindo a capital Havana, ficaram sem energia elétrica nesta quarta-feira (4) devido a uma falha na rede nacional causada por uma avaria na caldeira da usina Antonio Guiteras. A interrupção afeta dez das quinze províncias do país em meio a uma crise energética agravada pelo bloqueio dos Estados Unidos, que impede a entrada de combustível essencial.

A União Nacional Elétrica (UNE) comunicou que a desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN) ocorreu às 12h41 locais, afetando o oeste e o centro da ilha. O Ministério de Energia e Minas informou que todos os protocolos para restabelecer o sistema já foram ativados, mas não estipulou previsão para o retorno completo da energia.

Os cortes de energia em Cuba são frequentes e decorrem do envelhecimento da infraestrutura elétrica e da escassez de combustível. Desde o fim de 2024, o país sofreu cinco apagões generalizados. Atualmente, os moradores enfrentam também longos cortes programados, com desligamentos que chegam a mais de 10 horas na capital e se estendem por mais de um dia em algumas províncias.

A crise energética se intensificou após o governo dos Estados Unidos, sob a administração do ex-presidente Donald Trump, impor bloqueios que dificultam o fornecimento de petróleo a Cuba. Esse bloqueio foi reforçado após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado de Havana, e desde 9 de janeiro nenhum petroleiro chegou à ilha.

Para enfrentar a escassez de combustível, o governo cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, adotou medidas de racionamento que incluem a suspensão da venda de diesel, limitação da gasolina e redução parcial de alguns serviços hospitalares. Essas ações refletem a deterioração da capacidade energética que prejudica setores essenciais do país.

Washington justifica o bloqueio citando uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos Estados Unidos, atribuída ao governo cubano. Essa justificativa está relacionada à proximidade geográfica de Cuba com a Flórida, localizada a cerca de 150 km da costa americana.

O apagão afetou diretamente a rotina dos cubanos, que já convivem com dificuldades de transporte e alta inflação. Beatriz Barrios, que trabalha no setor de turismo, relatou a imprevisibilidade do restabelecimento da energia e a dificuldade que isso representa. Outro cidadão, o aposentado Alfredo Menéndez, afirmou que a população vive em incerteza, sem perspectivas de melhora a curto prazo.

Os impactos da crise se refletem no transporte público, com redução significativa das operações. Preços de táxis privados e dos triciclos elétricos, que substituem parte do transporte coletivo, chegaram a dobrar. Além disso, o custo de alguns alimentos também sofreu aumento devido à situação.

Dados oficiais compilados pela agência AFP indicam que entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro de 2026, a disponibilidade de energia elétrica nacional caiu 20% em comparação com 2025, quando Cuba já tinha dificuldade para atender à demanda básica do país. As oito usinas termelétricas do país, construídas principalmente entre as décadas de 1980 e 1990, apresentam avarias frequentes e longos períodos de manutenção.

Em fevereiro, a região oriental de Cuba, incluindo a cidade de Santiago de Cuba, ficou totalmente sem energia devido a outra falha na rede, evidenciando a fragilidade da infraestrutura elétrica. O governo cubano afirma que as sanções dos Estados Unidos restringem a importação de equipamentos e peças necessários para reparos.

Especialistas, no entanto, apontam que a crise também decorre da falta de investimentos do Estado cubano na modernização e manutenção do setor elétrico. Essa combinação de fatores limita as chances de uma recuperação rápida do sistema e mantém a população em situação vulnerável.

A continuidade dos apagões destaca a complexidade da crise energética em Cuba, causada pela interação entre bloqueios externos e desafios internos de infraestrutura. Até o momento, não há indicações de que a situação será normalizada em breve, o que mantém a população sob o impacto das restrições de energia.

Palavras-chave relacionadas para SEO:
apagão Cuba, crise energética Cuba, bloqueio dos EUA, falta de energia Havana, usina Antonio Guiteras, racionamento de combustível Cuba, infraestrutura elétrica Cuba, cortes de energia Cuba, Donald Trump Cuba, crise econômica Cuba, energia elétrica Cuba, transporte público Cuba, sanções EUA Cuba, petróleo Cuba, Miguel Díaz-Canel.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Sair da versão mobile