Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na quarta-feira (4), em São Paulo, pela Polícia Federal durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. A prisão ocorre meses depois da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central, em novembro de 2025, motivada por suspeitas de irregularidades financeiras e risco de insolvência.
O Banco Master enfrentava dificuldades estruturais, pressionado por altos custos de captação e exposição a ativos considerados de alto risco. O banco oferecia CDBs com juros muito acima da média do mercado, atraindo investidores em busca de retornos elevados, mas gerando alerta sobre a saúde financeira da instituição. Tentativas de venda do banco, incluindo uma proposta do Banco de Brasília (BRB), foram interrompidas por órgãos reguladores devido à falta de transparência e suspeitas levantadas em investigações.
Fundado em 1974 como uma corretora, o Banco Master expandiu suas operações ao longo das últimas décadas para áreas como crédito e investimentos. Nos últimos anos, passou a oferecer produtos com remuneração elevada para captar recursos, principalmente após perder acesso a linhas de crédito tradicionais. Especialistas apontam que taxas acima do padrão indicam desequilíbrio financeiro e tentativa de cobrir rombos com recursos novos, uma prática insustentável sem aporte de capital real.
As irregularidades investigadas incluem a emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) no valor total de R$ 50 bilhões, prometendo juros elevados sem comprovar liquidez suficiente para honrar esses compromissos. A Polícia Federal apura a existência de carteiras de crédito falsas, usadas para reforçar a impressão de solvência do banco. Esses ativos foram vendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada, em meio à negociação de aquisição do Banco Master pelo BRB.
Com a liquidação decretada pelo Banco Central, todas as operações do Banco Master foram encerradas e a diretoria afastada. Um liquidante foi nomeado para administrar os ativos e passivos, e os correntistas e investidores passam a contar com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Valores acima desse teto entrarão na lista de credores, que será organizada durante o processo de liquidação.
Saques, transferências e pagamentos realizados pelo Banco Master foram suspensos imediatamente. No entanto, clientes com dívidas devem continuar pagando parcelas de empréstimos e financiamentos, pois as obrigações permanecem válidas mesmo durante a liquidação. Investidores devem considerar que a rentabilidade dos títulos vale somente até a data da decretação da liquidação.
As investigações policiais seguem em curso para identificar a extensão das fraudes e responsabilizar os envolvidos, com penas que podem chegar a 12 anos de prisão por crimes como gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. A operação da Polícia Federal ocorre em parceria com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo informações apresentadas na CPI do Crime Organizado, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões.
Casos semelhantes de bancos brasileiros, como Banco Santos e Cruzeiro do Sul, enfrentaram processos de liquidação e investigação com procedimentos parecidos. Enquanto isso, o Banco Master permanece sob controle do liquidante e as autoridades trabalham para minimizar os impactos aos clientes e ao sistema financeiro.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com