A escalada do conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no início de outubro de 2027, pressiona o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil, afetando a inflação e potencialmente limitando os cortes na taxa de juros pelo Banco Central. Os ataques e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã impactam diretamente o mercado internacional de energia e a economia brasileira.
Nesta segunda-feira (2), o petróleo ultrapassou US$ 82 por barril, maior valor desde janeiro de 2025. Analistas apontam que, com o bloqueio do Estreito de Ormuz, os preços devem subir ainda mais nas próximas semanas, influenciando o custo dos combustíveis no Brasil. Paralelamente, o dólar valorizou 0,6%, chegando a R$ 5,16, e continuou em alta na terça-feira (3).
Os aumentos no preço do petróleo e do dólar pressionam os preços dos combustíveis e da energia, que têm efeitos em setores como transporte, indústria e agronegócio. Essa pressão pode desacelerar a atividade econômica interna, reduzindo o ritmo de crescimento do país. Economistas alertam que essa alteração nos preços relativos pode influenciar a inflação corrente e as projeções futuras.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avalia os cenários econômicos para definir a taxa Selic, que atualmente busca manter a inflação em 3% ao ano até setembro de 2027. A guerra no Oriente Médio adiciona incertezas ao cenário externo e pode influenciar as decisões sobre os cortes da taxa de juros.
Antes do conflito, o mercado financeiro esperava que a Selic fosse reduzida de 15% para 14,5% ao ano já em outubro, com quedas adicionais previstas para 2026 e 2027. A situação geopolítica pode postergar ou suavizar esses cortes, conforme avaliação do impacto inflacionário do aumento dos preços do petróleo e do dólar.
Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, afirma que o aumento recente do petróleo não exige um reajuste imediato nos combustíveis pela Petrobras, que só ocorreria caso o preço se mantenha alto por mais tempo. Ela entende que um eventual aumento de até 10% nos combustíveis teria impacto moderado na inflação, especialmente com o dólar abaixo de R$ 5,50.
Vitória destaca a desaceleração da economia brasileira, com demanda fraca, e avalia que um reajuste nos combustíveis não alteraria de forma estrutural o rumo da taxa de juros no curto prazo. Ela mantém a previsão de corte da Selic para 14,5% em março, mas admite que, dependendo da magnitude do impacto da crise, o Copom pode iniciar o corte de forma mais cautelosa ou adiada.
Leonardo Costa, economista do ASA, ressalta que o risco maior para o Brasil está na duração e intensidade do conflito. Segundo ele, a Petrobras deve atrasar o repasse dos aumentos internacionais para os preços domésticos, com o diesel sofrendo reajustes antes da gasolina devido ao volume maior de importações.
Costa explica que um aumento de 10% no preço da gasolina eleva o IPCA anual entre 0,20% e 0,25%, enquanto o diesel atua mais indiretamente pela cadeia produtiva. A persistência de preços elevados do petróleo pode, assim, pressionar para cima as projeções inflacionárias no Brasil.
Fabiano Zimmermann, gestor do ASA, afirma que o conflito não deve mudar, por ora, o plano do Banco Central de iniciar os cortes da taxa de juros em março. Contudo, se a crise no Oriente Médio se estender, pode interromper a valorização do real e elevar o preço do petróleo, limitando o ciclo de flexibilização monetária. Já há sinais dessa percepção no mercado de juros, com aumento do prêmio nas etapas intermediárias da curva.
As autoridades e analistas seguem monitorando a evolução do conflito e seus desdobramentos econômicos, reconhecendo que o cenário externo permanece incerto. O Banco Central adaptará suas decisões conforme novos impactos sobre a inflação e a atividade econômica forem observados.
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Fonte: g1.globo.com
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