O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso faz

O diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso faz campanha para o Oscar de melhor fotografia com o filme Sonhos de Trem, da Netflix, concorrendo à premiação marcada para 15 de março em Los Angeles. Radicado em Lisboa, Veloso descreve a experiência como uma série de entrevistas, eventos e encontros com integrantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que votam nos indicados.
Veloso compara a campanha a uma corrida eleitoral, na qual precisa conquistar votos por meio de almoços, jantares e sessões de perguntas e respostas. Ele afirma que o processo é mais difícil do que filmar, seu campo de conforto, e brinca que a única coisa que não faz, diferente de um político, é comer pastel e abraçar criança.
O filme Sonhos de Trem acompanha a trajetória de um lenhador e operário na construção dos Estados Unidos entre o fim do século 19 e meados do século 20. A fotografia de Veloso é destacada pela crítica por unir o drama pessoal do protagonista às transformações do cenário natural. Durante as filmagens, ele priorizou o uso de luz natural e evitou efeitos artificiais ou manipulações em pós-produção.
Veloso reconhece que a competição na categoria de fotografia está acirrada e que seus concorrentes dispõem de orçamentos muito maiores. Entre eles estão produtores de filmes estrelados por nomes como Michael B. Jordan e Leonardo DiCaprio. A favorita apontada por ele é Autumn Durald, primeira mulher indicada para a categoria, que já quebrou barreiras ao fotografar o primeiro filme em IMAX.
Apesar das chances reduzidas, ele mantém a esperança de que seu trabalho fale mais alto na decisão do Oscar. Veloso destaca que a campanha é fundamental para se chegar à premiação, mas que todos os concorrentes estão realizando esforços semelhantes para divulgar seus filmes.
O diretor também comenta aspectos do cinema brasileiro atual e as indicações brasileiras ao Oscar, como o filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura. Ele avalia dificuldades para vencer em categorias principais, mas vê chances maiores para prêmios técnicos ou em direção de elenco.
Sobre o uso da inteligência artificial no cinema, Veloso afirma que a tecnologia trará mudanças e facilitará processos, mas levanta questões sobre direitos autorais e a remuneração dos criadores. Para ele, o público continuará valorizando produções feitas por pessoas, da mesma forma que há demanda por produtos artesanais.
Veloso atribui o momento positivo do cinema brasileiro à presença forte nas redes sociais e à mobilização do público. Ele acredita que essas ações ajudam a colocar o Brasil no centro das conversas internacionais e atraem investimentos para a cultura do país.
Na avaliação do diretor, o Brasil ainda precisa ampliar o diálogo sobre o investimento cultural e romper preconceitos que dificultam o apoio financeiro. Segundo ele, o cinema deixa de ser espaço exclusivo para poucos e amplia o acesso e as vozes dentro da indústria.
Questionado sobre sua torcida para a categoria de melhor filme, que inclui Sonhos de Trem e O Agente Secreto, Veloso diz acreditar que nenhum dos dois será premiado. Ele afirma que se sentiria feliz por ambos os filmes, um por seu trabalho e outro por ser brasileiro.
Por fim, Veloso não preparou discurso para o caso de ganhar o Oscar, citando sua cautela diante das chances reduzidas e sua preferência por esperar o resultado antes de comemorar.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com