O governo Trump deu um ultimato à empresa Anthropic para

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O governo Trump deu um ultimato à empresa Anthropic para liberar sua tecnologia de inteligência artificial (IA) para uso irrestrito pelo Exército dos Estados Unidos até esta sexta-feira (27), sob ameaça de romper contratos e classificá-la como risco à cadeia de suprimentos. A medida visa garantir o acesso total do Departamento de Defesa a ferramentas de IA consideradas essenciais para operações militares.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, alertou que a Anthropic pode ser submetida à Lei de Produção de Defesa (DPA, na sigla em inglês), que confere ao governo poderes emergenciais para forçar o uso da tecnologia, mesmo sem a aprovação da empresa. A classificação de risco à cadeia de suprimentos implicaria restrições significativas, como impedimento em licitações e exclusão de setores estratégicos.

A Anthropic desenvolve o Claude, uma ferramenta de IA voltada para segurança, usada pelo Exército americano em operações recentes, incluindo a derrubada do líder venezuelano Nicolás Maduro no início do ano. No entanto, a empresa mantém proibições para uso da IA em ações violentas e expressa preocupações éticas quanto ao uso irrestrito da tecnologia pelo governo.

O CEO Dario Amodei já manifestou receios sobre o emprego da IA em drones autônomos armados e vigilância em massa, ressaltando o perigo de monitoramento e repressão a dissidências. Na semana passada, ele participou de reunião no Pentágono com Hegseth, onde reafirmou a recusa em autorizar operações militares totalmente autônomas e vigilância doméstica.

O Pentágono, por sua vez, defende que suas ordens são legais e que restringir o uso da IA limita operações militares necessárias. Hegseth afirma que modelos de IA que não permitam conduzir guerras serão descartados e rejeita limitações baseadas em restrições ideológicas.

A Anthropic é uma das quatro empresas contratadas pelo Pentágono no ano passado, ao lado da Google, OpenAI e xAI, cada uma com contratos de até US$ 200 milhões. A empresa se destaca pelo foco em segurança e responsabilidade, após se separar da OpenAI em 2021, e durante o governo Biden adotou avaliações externas para mitigar riscos associados à IA.

Especialistas apontam que a resistência da Anthropic reduz seu poder de barganha, especialmente quando concorrentes aceitam as demandas do governo. O debate atual enfatiza questões sobre o papel da IA na defesa nacional, a ética no uso de tecnologias sensíveis e o equilíbrio entre segurança e direitos civis.

Tensões anteriores entre a Anthropic e o governo Trump incluíram críticas da empresa a propostas para flexibilizar exportações de chips para a China e divergências em relação à regulamentação estadual de IA. O impasse ocorre também em meio à agenda de Hegseth de eliminar o que chama de “cultura woke” das Forças Armadas.

Especialistas defendem maior supervisão legislativa sobre o uso militar da IA, principalmente em relação à vigilância de cidadãos americanos. Para Amos Toh, do Brennan Center, o Departamento de Defesa não pode atuar sem limites legais, mesmo diante do rápido avanço tecnológico.

O caso Anthropic evidencia os desafios de equilibrar avanços tecnológicos no setor militar, preocupações éticas e a necessidade de controle governamental transparente, temas que devem ganhar mais espaço no debate público nos próximos anos.

Palavras-chave relacionadas: inteligência artificial, Anthropic, governo Trump, Exército dos Estados Unidos, Pete Hegseth, Lei de Produção de Defesa, segurança nacional, ética em IA, vigilância, tecnologia militar, contratos governamentais.

Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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