A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central em fevereiro de 2026, bloqueou o acesso ao dinheiro de cerca de 12 milhões de clientes, principalmente nas regiões Nordeste e cidades pequenas, deixando famílias sem recursos para despesas básicas. A medida ocorre após a liquidação anterior do Banco Master, controladora do Will Bank, e afetou correntistas de baixa e média renda que utilizavam contas digitais sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Desde novembro de 2025, o Will Bank operava sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet), sob controle do Banco Central na tentativa de viabilizar sua venda. Como não houve comprador e as dívidas se acumularam, o BC optou pela liquidação. A maior parte dos clientes do banco possui contas de pagamento, que não contam com o seguro do FGC, e por isso o reembolso dos saldos depende da conclusão da lista oficial de credores pelo liquidante nomeado pelo BC. Não há prazo definido para o início da devolução integral dos valores.
O FGC antecipou pagamentos apenas para clientes com até R$ 1 mil a receber, beneficiando cerca de 6 milhões de pessoas. Clientes com valores superiores ou que investiram por meio de corretoras continuam sem acesso ao dinheiro e aguardam o processo de liquidação. Entre os afetados, está o servidor público Felipe Cândido, que tinha R$ 6 mil depositados e enfrenta dificuldades para cobrir despesas essenciais devido ao bloqueio dos recursos.
Contas de pagamento, como as oferecidas pelo Will Bank, são diferentes das contas correntes tradicionais, pois não possuem autorização para operar como bancos e não garantem cobertura do FGC para saldos armazenados. O dinheiro depositado nessas contas é mantido separado do patrimônio do banco e deve ser devolvido integralmente ao cliente, segundo determina a lei, mas o processo depende da análise e organização da massa falida realizada pelo liquidante.
Enquanto o procedimento não avança, o aplicativo do Will Bank permanece disponível apenas para consultas, e operações como transferências, pagamentos e PIX estão desativadas. Além disso, parcelas de empréstimos e faturas de cartão seguem em vigor e podem ser cobradas, mesmo com a liquidação. As chaves PIX vinculadas ao banco foram desativadas, impedindo outras formas de movimentação financeira.
Advogados recomendam que os clientes guardem comprovantes de saldos e extratos para comprovar seus direitos e acompanhem as informações divulgadas pelo Banco Central, pelo liquidante e pelo FGC. Em casos urgentes, é possível recorrer à Justiça para solicitar o desbloqueio de valores ou outras medidas cabíveis. A expectativa é de que o FGC desembolse cerca de R$ 6,3 bilhões no processo, mas os prazos dependem do andamento da liquidação e da finalização das listas de credores.
O caso do Will Bank revela as consequências diretas da falência de instituições financeiras digitais para clientes vulneráveis, que dependem desses serviços para movimentação financeira diária. A situação do banco reforça a necessidade de esclarecimentos oficiais sobre os procedimentos e prazos para a devolução dos valores bloqueados.
—
Palavras-chave relacionadas: Will Bank, Banco Central, liquidação extrajudicial, Fundo Garantidor de Créditos, contas de pagamento, bloqueio de saldo, reembolso, banco digital, saldo bloqueado, crise financeira, pagamento antecipado FGC, clientes afetados, Regime Especial de Administração Temporária, Daniel Vorcaro.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

