Texto apocalíptico sobre inteligência artificial provoca que

Na segunda-feira (23), as ações de empresas de tecnologia, principalmente de software, sofreram quedas significativas na bolsa americana, movimento atribuído por analistas a um post viral publicado em um blog que projeta um cenário econômico negativo diante da ascensão da inteligência artificial (IA). O texto, produzido pela Citrini Research, empresa fundada pelo investidor James van Gleek, alerta para um futuro marcado por crescimento econômico ilusório, desemprego em massa e impacto negativo nos mercados acionários.

Na abertura do pregão, companhias como Datadog, CrowdStrike e Zscaler tiveram suas ações caindo mais de 9%. A IBM registrou queda de 13%, o pior desempenho diário desde 2000. Bancos e empresas financeiras também perderam valor: American Express caiu cerca de 7%, e JPMorgan, Citigroup, Morgan Stanley, Mastercard e Visa registraram recuos superiores a 4%. Segundo especialistas, o gatilho para o movimento foi o texto da Citrini Research que ganhou ampla repercussão.

O blog apresenta um cenário projetado para 2028, descrito como um “exercício mental” e não uma previsão definitiva. Nele, a IA aumenta a produtividade e o Produto Interno Bruto (PIB) — porém, ao substituir trabalhadores humanos, especialmente de colarinho branco, gera desemprego em massa. Esse efeito cria um “PIB fantasma”, em que o crescimento econômico contabilizado não se traduz em circulação efetiva de renda na economia real, com queda nos salários reais e pressão negativa sobre o consumo.

O relato fictício aponta para uma espiral de substituição do trabalho humano, impulsionada pelo avanço da “agentic coding”, tecnologia de agentes autônomos capazes de programar e testar códigos com mínima intervenção humana. Isso levaria as empresas de software a reduzir a força de trabalho, gerando impactos financeiros por conta da menor demanda por licenças e serviços de software.

Além do setor de tecnologia, o texto destaca que diversos segmentos seriam afetados pela disseminação da IA, como comércio, serviços financeiros, turismo e imobiliário. Segundo o relatório, até mesmo relações humanas valorizadas no mercado imobiliário sofreriam abalos, com agentes inteligentes replicando informações e eliminando assimetrias tradicionais entre compradores e vendedores. Aplicativos de entrega e meios de pagamento também entrariam em crise, diante da concorrência de soluções mais eficientes e baratas baseadas em IA e criptomoedas estáveis, como stablecoins.

Enquanto a inovação tecnológica destrói empregos tradicionais, o artigo aponta que a IA introduz um diferencial: a automação avança sobre tarefas complexas para as quais os trabalhadores humanos eram realocados. Assim, a criação de novas funções, como engenheiros de prompt ou técnicos de IA, não seria suficiente para absorver o excedente de mão de obra e evitar a pressão salarial descendente. O caso fictício de uma gerente sênior de produto exemplifica a queda de renda, de US$ 180 mil anuais para US$ 45 mil, após demissão e migração para trabalho temporário.

O relatório também indica que a crise nos salários comprometeria o mercado imobiliário, dificultando o pagamento de financiamentos. Em paralelo, a diminuição da arrecadação tributária limitaria a capacidade dos governos em oferecer suporte financeiro, agravando o cenário. Os autores enfatizam que a evolução da capacidade da IA está mais rápida que a adaptação das instituições públicas e políticas.

Apesar de alertar para esses riscos hipotéticos, o texto ressalta que o cenário negativo ainda não se concretizou e que a sociedade e os investidores têm tempo para se preparar e reavaliar estratégias diante das mudanças trazidas pela inteligência artificial.

Reações ao post foram divergentes. Especialistas do mercado ressaltaram que a sensibilidade atual dos mercados pode amplificar impactos de publicações mesmo especulativas. Para alguns, a preocupação com IA e o cenário desenhado exageram, desconsiderando a adaptabilidade humana, ganhos reais de poder aquisitivo e a capacidade institucional de resposta.

Alguns analistas destacaram que a IA pode democratizar o acesso a recursos e que a produtividade tende a realocar, e não destruir, valor na economia. O CEO do JPMorgan, cujas ações caíram mais de 4%, afirmou que o banco pretende usar a IA a seu favor e que espera sair vencedor do processo de transformação tecnológica.

O episódio evidencia que, diante das rápidas mudanças provocadas pela inteligência artificial, mercados e investidores estão diante de incertezas que geram volatilidade e debates sobre os impactos econômicos, sociais e institucionais dessa nova fase.

Palavras-chave: inteligência artificial, mercado financeiro, desemprego, PIB, produtividade, tecnologia, criptomoedas, stablecoins, automação, bancos, software, mercado de ações, crise econômica, inovação tecnológica, adaptação institucional.

Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

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