Funcionários relatam que chefes tóxicos têm causado sofrimento emocional e adoecimento mental em ambientes de trabalho, levando muitos a pedirem demissão ou adoecerem. No Reino Unido, casos de líderes que praticam humilhações públicas e pressionam por padrões irreais têm aumentado, motivando debates sobre como identificar e lidar com essa conduta.
Maya (nome fictício), ex-funcionária de uma agência de relações públicas no Reino Unido, descreve sua experiência com uma chefe que insultava os funcionários diante da equipe e lançava críticas ofensivas. Segundo ela, os ataques ultrapassavam a gestão de desempenho e afetavam diretamente a saúde mental dos colaboradores, que frequentemente choravam no ambiente de trabalho. A situação levou à saída de Maya da empresa.
Pesquisas indicam que uma a cada três pessoas já deixou empregos devido a chefes ou ambientes tóxicos. No entanto, especialistas destacam que nem todo comportamento difícil de líderes caracteriza toxicidade. Ann Francke, diretora executiva do Chartered Management Institute, explica que “chefes acidentais” são promovidos por habilidades técnicas e podem agir mal por inexperiência, sem intenção de prejudicar.
Os chefes tóxicos, por outro lado, operam de forma consciente, sem empatia e geralmente lideram pelo medo, além de terem expectativas irreais. Entre as atitudes citadas estão sabotar a equipe, apropriar-se do trabalho alheio e humilhar funcionários publicamente. Francke alerta para sinais como ansiedade, medo de se expressar e evasão para evitar confrontos, que indicam um ambiente tóxico e não um simples conflito.
Outra funcionária, Josie (nome fictício), relatou à BBC ter sido monitorada constantemente pela chefe, que fazia ligações e enviava mensagens de manhã à noite, mesmo fora do expediente. Ela também sofreu exclusões sociais no trabalho e teve seus projetos direcionados a colegas. Hannah (nome fictício) contou que sua chefe a humilhava ao ponto de obrigá-la a retirar roupas em eventos, causando constrangimento público.
O tema é abordado no filme “Socorro!”, que retrata o conflito entre uma chefe tóxica e uma funcionária. A atriz Rachel McAdams, que interpreta a funcionária, disse que já passou por ambientes de trabalho difíceis e aconselha saídas silenciosas ou práticas que ajudem a manter o equilíbrio emocional.
Para quem não pode pedir demissão imediatamente, Francke recomenda algumas estratégias. Buscar apoio em mentores fora da linha direta hierárquica pode ajudar a obter conselhos imparciais. Também sugere confrontar o chefe com exemplos concretos de comportamentos problemáticos, preferencialmente de forma conjunta com colegas afetados. Estabelecer limites e preservar o bem-estar são essenciais para manter a saúde mental.
O uso do setor de Recursos Humanos deve ser feito com cautela, considerando o histórico da empresa no tratamento de queixas. Em casos de abusos graves ou riscos à reputação da organização, denunciar formalmente pode ser necessário, ainda que o medo de retaliação seja um empecilho para muitos funcionários.
No Brasil, o tema ganha relevância diante do aumento dos afastamentos por questões de saúde mental, já ultrapassando meio milhão de casos em 2025. A conscientização sobre chefes tóxicos e medidas para enfrentá-los faz parte da resposta a essa crise crescente no ambiente corporativo.
O debate segue aberto sobre como as empresas podem promover culturas de trabalho saudáveis e formas eficazes de apoiar profissionais afetados por maus líderes.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

