O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (21) que o Brasil é “grande demais para ser quintal” de qualquer país e defendeu uma relação “madura” com os Estados Unidos após a Suprema Corte norte-americana derrubar as sobretaxas impostas por Donald Trump. A decisão da Corte, anunciada na sexta-feira (20), acabou com tarifas extras de 40% sobre 22% das exportações brasileiras aplicadas unilateralmente pelo governo dos EUA.

Na decisão, a Suprema Corte considerou que Trump extrapolou os poderes da Presidência ao aplicar as tarifas com base em uma lei da década de 1970. Com o fim dessas sobretaxas específicas, permanece um imposto global de 10% sobre produtos brasileiros, que deve ser implementado em substituição ao tarifaço anterior, segundo Haddad. O ministro ressaltou que a competitividade do Brasil não será comprometida por essa mudança.

Haddad declarou que o Brasil está construindo uma “ponte robusta” para restabelecer a relação comercial com os Estados Unidos e que o processo deve avançar em ritmo acelerado. “Tudo o que nós queremos, em relação à Ásia, à Europa e aos Estados Unidos, é ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro”, disse.

Em abril de 2025, o governo Trump aplicou uma sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros importados para os EUA, que foi aumentada em julho para 50%, por meio de uma alíquota extra de 40%. A medida incidiu sobre cerca de 22% do total das exportações brasileiras, afetando setores variados, com algumas exceções. Produtos como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos, autopeças, fertilizantes e itens do setor energético ficaram de fora da sobretaxa mais alta, que passou a valer em 6 de agosto.

Em novembro, após negociações diretas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% sobre outros produtos estratégicos, como café, carnes e frutas. O diálogo foi marcado por declarações de ambos líderes, com Trump destacando uma “química excelente” com Lula durante discurso na ONU.

Com a decisão da Suprema Corte e o anúncio do governo americano nesta última sexta-feira, a tarifa final para a maioria dos produtos brasileiros ficou restrita a uma taxa global de 10%, conforme análise do especialista em comércio exterior Jackson Campos. Segundo ele, essa alíquota é aplicada sobre a tarifa normal já vigente antes do tarifaço.

A exceção permanece em setores como aço e alumínio, que continuam sujeitos a alíquotas de 50%, resultado da soma do imposto anterior e do novo adicional temporário global de 10%.

A mudança traz uma perspectiva de equilíbrio para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, que, segundo Haddad, deve se concretizar em uma parceria mais madura, com benefício recíproco para ambos os países.

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Fonte: g1.globo.com


Fonte: g1.globo.com

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