O violonista Roberto Menescal e o músico Muca lançam o álbum “Beleza” em 29 de maio, trazendo uma reinterpretação da bossa nova com influências do samba, folk e soul. A parceria entre o precursor da bossa nova e o produtor paulistano, radicado em Londres, busca resgatar a herança musical brasileira com composições inéditas.
Com 88 anos, Menescal é a última referência viva da primeira geração da bossa nova e já havia colaborado recentemente com Luísa Sonza no álbum “Bossa sempre nova” (2026). Agora, ao lado de Muca, que atua como produtor, multi-instrumentista e compositor, ele assina e participa da produção de “Beleza”. Juntos, eles mostram uma fusão do balanço do samba com a suavidade da bossa nova.
O disco reúne 12 faixas, com vocais de 12 cantoras diferentes, metade das músicas em português e metade em inglês. Todas as letras em português têm versos de César Lacerda, que também assina canções ao lado de Muca. Roberto Menescal contribui tocando violão e, em alguns momentos, participa nos vocais, como em “A beleza de ser”, samba que mantém o clima clássico da bossa nova.
O álbum começa com destaque para as três primeiras faixas, consideradas as mais fortes em termos de composição e arranjos, incluindo canções como “Versos singelos”, que mistura versos de sucessos da bossa nova e é interpretada por Mirella Costa. “Ladeira”, samba que remete à raiz afro da música brasileira, tem voz de Josyara e reforça a conexão com a tradição do samba.
Nas faixas seguintes, o repertório apresenta variações de qualidade, mas mantém o acabamento dos arranjos e das interpretações vocais. Joia Luz canta “Juréia”, acompanhada da guitarra de Muca, enquanto Fabiana Cozza traz o pagode em “Todo samba”, música que destaca a percussão do produtor e tem Menescal como coautor.
“Mulher assim”, interpretada por Amanda Maria, apresenta uma mistura de sons orgânicos e eletrônicos que, segundo avaliações, poderia ter sido melhor equilibrada. As gravações foram feitas em estúdios de São Paulo, Rio de Janeiro e do Reino Unido, o que contribui para a diversidade sonora do trabalho.
A presença de elementos do folk e do soul aparece em “Midnight lullaby”, com participação de Liana Flores, que canta em inglês, e em “Playing on the loose fields”, com Anaiis, liberada como single antes do lançamento do álbum. Essas canções mostram uma abordagem diferente do universo tradicional da bossa nova.
Outras faixas, como “Every little thing” e “Blue rain”, apresentam variações estilísticas que dividem opiniões, sobretudo pela produção ou pelo uso dos instrumentos. No entanto, a guitarra de Menescal tem destaque principalmente no início de “Blue rain”.
A penúltima faixa, “Dance with you”, vocalizada por Alice SK, parceira de Muca na composição, sugere que o álbum poderia ser mais conciso. O encerramento de “Beleza” acontece com “Feeling when it comes”, samba na voz de Hedi Vogel, retomando a união entre samba e bossa nova, ritmo predominante em todo o disco.
Diferentemente da recente colaboração de Menescal com Luísa Sonza, que revisitou um cancioneiro já consagrado, “Beleza” aposta em músicas inéditas e em uma busca por renovar a tradição da música brasileira. O álbum se destaca pela combinação de vozes femininas diversas e pela participação ativa de Menescal em um projeto contemporâneo.
A arte da capa foi elaborada por Cayton Jr. e reflete visualmente a proposta multicolorida do trabalho. Com produção entre Brasil e Reino Unido, o disco amplia a circulação internacional da bossa nova e suas ramificações.
“Beleza” é um convite à redescoberta da bossa nova, promovendo a troca entre gerações e estilos musicais dentro da música brasileira contemporânea.
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Fonte: g1.globo.com
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