A ONU propôs nesta sexta-feira (20), na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi, a criação de uma comissão para garantir o “controle humano” da inteligência artificial (IA), ideia rejeitada pelos Estados Unidos. A iniciativa busca regulamentar o desenvolvimento e a aplicação da IA para mitigar riscos sociais e ambientais associados à tecnologia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, informou que a Assembleia Geral designou 40 especialistas para compor o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial. O objetivo do grupo é avaliar os impactos da IA e sugerir estratégias de governança semelhantes às adotadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).
Segundo Guterres, a governança científica não freia o avanço tecnológico, mas o torna mais seguro e justo. Ele destacou a necessidade de medidas baseadas em evidências para passar de ações aproximadas a barreiras inteligentes, que levem em conta os riscos reais da tecnologia.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva alertou para o risco de a IA aprofundar desigualdades históricas se não houver ação coletiva. Lula criticou a concentração do controle dos algoritmos e das infraestruturas digitais, apontando que isso configura dominação, e não inovação.
Por outro lado, a Casa Branca, representada pelo conselheiro de tecnologia Michael Kratsios, rejeitou a proposta de uma governança global da IA. Kratsios afirmou que o governo dos Estados Unidos é contra controles centralizados e burocráticos, que poderiam prejudicar a adoção da tecnologia e limitar o crescimento econômico e humano.
Kratsios também classificou como “obsessões ideológicas” as preocupações excessivas com riscos relacionados a temas como clima e equidade, considerando-as justificativas para uma gestão burocrática. Ele defendeu a promoção do potencial da IA para gerar prosperidade.
A cúpula de Nova Délhi, a primeira realizada em um país em desenvolvimento, teve participação de líderes políticos e empresários do setor de tecnologia. O primeiro-ministro indiano Narendra Modi afirmou que o momento atual marca uma nova era em que humanos e sistemas inteligentes evoluem juntos, e que a IA deve ser usada para o bem comum mundial.
A Índia busca aproveitar a cúpula para atrair investimentos no setor, estimados em mais de 200 bilhões de dólares até 2026, e para avançar na concorrência com Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, líder do ChatGPT, pediu uma regulação urgente da IA para garantir o seu uso seguro e democrático, reconhecendo a necessidade de medidas de controle, mas também defendendo a democratização da tecnologia.
Apesar das discussões amplas sobre proteção infantil, perda de empregos e acesso equitativo às ferramentas de IA, os encontros anteriores promovidos pela ONU resultaram em declarações vagas. A declaração final da cúpula de Nova Délhi ainda não foi definida, e há divergências, principalmente em relação à regulamentação do acesso e ao conteúdo das plataformas digitais, tema criticado pelos Estados Unidos sob argumento de defesa da liberdade de expressão.
A próxima reunião mundial sobre políticas em IA está marcada para ocorrer em Genebra no primeiro semestre de 2027. O evento em Nova Délhi reforça a necessidade de respostas internacionais coordenadas para os desafios trazidos pela inteligência artificial, ainda que haja diferenças significativas entre países sobre o modelo ideal de governança.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

