Christian Meunier, presidente da Nissan para as Américas, defendeu que o governo brasileiro implemente medidas tributárias para proteger a indústria nacional diante do aumento da importação de carros chineses, que intensificou a concorrência no mercado automotivo do Brasil em 2025.
Meunier afirmou que a proteção à indústria local é essencial para preservar empregos e fortalecer a cadeia de suprimentos no país. Ele criticou a entrada massiva de veículos importados e destacou que a competição deve ocorrer em condições justas para os fabricantes que produzem no Brasil.
O presidente da Nissan ressaltou que o Brasil deveria adotar uma política similar à do México, que isenta de tarifas carros produzidos localmente e aplica taxas elevadas para importações que não atendam a essa condição — chegando a 50% para alguns produtos. O acordo ACE-55, válido entre México e Mercosul desde 2002, mantém isentos de tarifas os veículos entre esses países e não seria afetado pelas mudanças propostas.
Meunier citou sua experiência anterior na Stellantis, onde enfatizou a importância da produção local como fator de sucesso no mercado brasileiro. Segundo ele, localizar tanto a fabricação de veículos quanto de peças é fundamental para reduzir custos e riscos logísticos, além de evitar impactos cambiais e tarifários.
A Nissan mantém uma fábrica em Resende (RJ) desde 2014, onde produz principalmente SUVs como o Kicks e o novo Kait, que também é exportado para mais de 20 países na América Latina. O grupo recentemente investiu R$ 2,8 bilhões na unidade, focando no desenvolvimento e produção de modelos locais.
Apesar das iniciativas de expansão, a Nissan enfrenta desafios para crescer no Brasil. Em 2025, a participação da marca ficou em 3,05% dos emplacamentos, número estável em relação a 2020, mas inferior ao de concorrentes como Honda e BYD. O Kicks, que ocupava a quarta posição entre SUVs em 2024, caiu para o sétimo lugar em 2025, período no qual o modelo passou por reajuste de preço.
A empresa passa por uma reestruturação global que inclui a troca da equipe executiva com o objetivo de recuperar competitividade e eficiência. Meunier destacou a redução de custos fixos e variáveis em torno de US$ 2 bilhões entre 2024 e 2025, além da diminuição no volume global de produção e no tempo de desenvolvimento dos veículos, que passou de seis anos para 38 meses.
A estratégia de “produzir onde se vende” é parte central da política da Nissan para reduzir vulnerabilidades do negócio ligadas a tarifas, câmbio e logística. Nos Estados Unidos, a produção local subiu de 44% para 65% em um ano, refletindo essa tendência.
A posição de Meunier e da Nissan destaca a crescente tensão entre a necessidade de abertura do mercado automotivo brasileiro e a proteção da indústria nacional diante do aumento da importação, principalmente de veículos chineses. Essa situação coloca o governo sob pressão para ajustar políticas comerciais que levem em conta os interesses dos produtores locais e a competitividade do setor.
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Fonte: g1.globo.com
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