A Rússia bloqueou o acesso total ao WhatsApp

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A Rússia bloqueou o acesso total ao WhatsApp em 12 de junho de 2024 e anunciou restrições gradativas ao Telegram, alegando uso dessas plataformas para a propagação de conteúdos ilícitos. Brasileiros que vivem no país contornam as limitações por meio do uso de redes privadas virtuais (VPNs), que permitem acessar serviços bloqueados pelo governo.

Brasileiros residentes na Rússia já utilizam VPNs desde bloqueios anteriores, como os do Instagram e Facebook em 2022, quando a Rússia classificou as empresas responsáveis como extremistas. Paola Loureiro, 25 anos, mineira que estuda linguística em Moscou, descreve o uso da VPN como indispensável para manter contato com o Brasil.

VPNs criam túneis criptografados que ocultam a localização do usuário, permitindo o acesso a redes sociais e aplicativos inacessíveis no território russo. O recurso, inicialmente desenvolvido para uso corporativo, é agora ferramenta comum para driblar censura digital.

Mesmo com a eficiência das VPNs, usuários enfrentam dificuldades como bloqueios recorrentes a essas redes, o que obriga a troca constante de aplicativos. “A maior dificuldade é burocrática; o governo bloqueia uma VPN, precisamos buscar outra”, relata Paola. Segundo ela, o uso contínuo reduz a duração da bateria dos dispositivos e, mesmo versões pagas, podem apresentar instabilidade.

Clarissa Ribeiro, 25 anos, pernambucana que cursa veterinária em Moscou, relata que nem percebeu o bloqueio total do WhatsApp até testar a comunicação com o aplicativo desligado. Ela afirma que a reativação da VPN restabeleceu imediatamente o serviço. Quanto ao Telegram, a comunicação permanece possível sem VPN, mas com menor velocidade. Instagram e Facebook seguem inacessíveis sem o uso dessas ferramentas.

Paralelamente, o governo russo promove o uso do aplicativo Max, plataforma inspirada no chinês WeChat que oferece serviços governamentais e troca de mensagens sem criptografia. A ausência de segurança na comunicação faz com que brasileiros evitem o app, que é mais popular entre gerações mais velhas.

Pressões institucionais também são relatadas por estudantes brasileiros na Rússia. Segundo Clarissa, em dezembro de 2023, a universidade informou que a instalação do Max seria obrigatória para realização de provas no início de 2024. A ameaça ocorreu por meio de comunicado no grupo da turma no Telegram. Apesar disso, pouca adesão foi registrada, e as avaliações ocorreram normalmente para quem não instalou o aplicativo.

O bloqueio do WhatsApp na Rússia e o aumento da vigilância digital refletem a tentativa do governo de controlar a comunicação online, enquanto usuários locais e estrangeiros recorrem a ferramentas alternativas para o acesso às redes sociais. O cenário reforça a complexidade do ambiente digital na Rússia e o impacto das políticas de censura na rotina dos moradores.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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