A Bayer anunciou um acordo de até 7,25 bilhões de dólares (R$ 37,91 bilhões) para encerrar dezenas de milhares de processos judiciais nos Estados Unidos que alegam que o herbicida Roundup, à base de glifosato, causa câncer. A proposta foi apresentada na terça-feira (17) e abarca ações atuais e futuras.
A medida busca resolver litígios que afetam a empresa desde a aquisição da Monsanto, em 2018, por 63 bilhões de dólares. As ações da Bayer caíram até 12% na quarta-feira (18), refletindo a incerteza sobre adesões ao acordo e decisões judiciais pendentes. O CEO Bill Anderson afirmou que o acordo oferece uma saída para os problemas legais enfrentados pela companhia.
O Roundup é um dos herbicidas mais utilizados nos Estados Unidos. Processos movidos por cerca de 200 mil demandantes acusam o produto de causar linfoma não Hodgkin e outros tipos de câncer. A Bayer nega a relação entre o glifosato, principal componente do produto, e o desenvolvimento da doença.
O acordo prevê a criação de um fundo de indenização com pagamentos anuais por até 21 anos, totalizando até 7,25 bilhões de dólares. O valor varia conforme o uso do produto, a idade do diagnosticado e a gravidade do câncer, podendo chegar a até 198 mil dólares por pessoa. Trabalhadores expostos por longo período receberiam em média 165 mil dólares se diagnosticados antes dos 60 anos com formas agressivas da doença.
A proposta depende da adesão de um número mínimo de demandantes, não especificado pela Bayer. Se muitos desistirem, a empresa pode cancelar o acordo. O advogado Matt Clement, que representa cerca de 280 autores, disse que muitos clientes podem recusar a proposta por considerarem os valores baixos.
Uma decisão importante ainda está pendente na Suprema Corte dos EUA, que deve analisar se a aprovação do Roundup pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), sem alerta sobre risco de câncer, invalida as ações judiciais estaduais. A Bayer argumenta que, com base na lei federal e na aprovação da EPA, não faria sentido exigir advertências adicionais no produto.
O acordo não afeta esse litígio específico, mas visa reduzir os riscos financeiros para a Bayer, protegendo a empresa de custos maiores caso a Suprema Corte decida contra ela. Mesmo se a decisão for favorável à Bayer, os pacientes que aderirem ao acordo receberiam a indenização.
Desde 2015, a Bayer enfrentou mais de 125 mil ações relacionadas ao Roundup, com mais de 10 bilhões de dólares pagos até 2020 para encerrar casos pendentes. Julgamentos recentes apresentaram resultados mistos, incluindo uma indenização de 2,1 bilhões de dólares atribuída por um júri em 2025.
O novo acordo busca encerrar a maioria dos processos restantes, abrangendo ainda eventuais ações futuras de pessoas expostas ao Roundup até 17 de fevereiro de 2026. A empresa pretende, assim, mitigar os riscos associados aos litígios e minimizar os impactos financeiros e reputacionais decorrentes dessas ações.
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Palavras-chave: Bayer, glifosato, Roundup, acordo judicial, indenização, herbicida, Monsanto, processos judiciais, câncer, linfoma não Hodgkin, Supremo Tribunal dos EUA, agrotóxico, litígios, EPA.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

