Cada vez mais pessoas recorrem às chamadas “salas

Cada vez mais pessoas recorrem às chamadas “salas da fúria” como alternativa para aliviar o estresse e liberar a raiva acumulada em ambientes controlados. Esses espaços permitem que os visitantes quebrem objetos descartados, como móveis, eletrônicos e louças, sob segurança, em locais que vêm crescendo em popularidade desde o final dos anos 2000, especialmente entre mulheres.
O conceito das “salas da fúria” provavelmente surgiu no Japão no fim da década de 2000, mas registros apontam que Donna Alexander criou um espaço semelhante em sua garagem no Texas, nos Estados Unidos, na mesma época. No Reino Unido, embora ainda sejam poucos, esses locais recebem um número crescente de frequentadoras, muitas vezes mulheres que buscam uma forma de expressar emoções reprimidas.
Deena, uma das visitantes, relatou à BBC que, apesar da expectativa inicial de muita raiva, sua experiência foi mais controlada e consciente. Ela descreveu a sensação como uma liberação física, comparando o efeito a um “botão de reset” ou a uma massagem relaxante. Deena citou o trabalho intenso e as decisões constantes como fatores que aumentam sua necessidade de encontrar métodos para reduzir o estresse.
Shuka Piryaee, outra frequentadora, conta que não sentia raiva na hora, mas queria experimentar o ato de extravasar. Ao receber um carro para amassar enquanto ouvia música, sentiu uma satisfação inesperada e percebeu que a atividade funcionou como exercício para o corpo e a mente, além de proporcionar um sentimento de liberdade.
Kate Cutler, dona de uma dessas salas em East Sussex, no sudeste da Inglaterra, afirma que a demanda tem aumentado. Ela criou o espaço motivada pela luta da filha contra um câncer cerebral, tendo a experiência de ir a uma “sala da fúria” entre os desejos da menina. Segundo Cutler, mulheres procuram o local por diferentes razões, como perdas emocionais, traições ou simplesmente porque sentem raiva sem causa aparente.
Especialistas em saúde mental explicam a crescente procura por esses espaços. A psicoterapeuta Jennifer Cox destaca que mulheres são socialmente condicionadas a reprimir emoções como frustração e raiva, o que pode gerar consequências físicas e psicológicas, como ansiedade, depressão e dores crônicas. Cox sugere que mecanismos de liberação, mesmo improvisados em casa, podem contribuir para o equilíbrio emocional.
A terapeuta Shelly Dar afirma que sentir raiva é saudável e que as “salas da fúria” oferecem uma abordagem segura para expressar esse sentimento. Ela ressalta que o problema reside na ausência de espaços onde as mulheres possam desabafar sem medo de julgamento, o que as força a suprimir emoções para manter papéis sociais esperados, como o de mãe ou pessoa serena.
Esses espaços surgem, portanto, como alternativas para lidar com o estresse acumulado em uma rotina marcada por altas demandas pessoais e profissionais. A popularidade crescente reflete a busca por métodos que facilitem o controle emocional e o bem-estar mental em um ambiente que promove a segurança e a expressão livre das emoções.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com