Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira (16) em meio à expectativa pela segunda rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, marcada para terça-feira (17), em Genebra. A tensão geopolítica e o temor de interrupções no fornecimento mantêm os preços firmes no mercado internacional.
Às 12h08 no horário de Brasília, o contrato futuro do petróleo Brent, referência internacional, avançava 0,6%, cotado a US$ 68,16 por barril (R$ 356,40). O petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 0,7%, negociado a US$ 63,32 por barril (R$ 331,09). O mercado americano não terá liquidação na segunda-feira devido ao feriado do Dia dos Presidentes.
Especialistas atribuem a estabilidade e a alta dos preços à preocupação com possíveis interrupções no fornecimento, decorrentes das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Em entrevistas à Reuters, o analista da PVM, Tamas Varga, destacou que o cenário geopolítico sustenta as cotações do petróleo.
Por outro lado, a atividade no mercado asiático está moderada por causa dos feriados do Ano Novo Lunar na China, Coreia do Sul e Taiwan. Isso reduz o volume de negociações e limita os efeitos imediatos no preço do petróleo.
Na semana passada, os índices de referência Brent e WTI registraram quedas semanais, com recuo de 0,5% e 1%, respectivamente. A retração ocorreu após declarações do então presidente dos EUA, Donald Trump, que mencionou a possibilidade de Washington fechar um acordo com Teerã no mês seguinte.
Antes da reunião em Genebra, o ministro das Relações Exteriores do Irã se encontrou com o chefe da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU). O país busca um acordo que traga benefícios econômicos para ambas as partes, incluindo investimentos nos setores de energia, mineração e compras de aeronaves, conforme afirmou um diplomata iraniano.
Nos Estados Unidos, autoridades se preparam para a hipótese de uma campanha militar prolongada caso as negociações não avancem. Paralelamente, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que poderá retaliar ataques contra seu território, atingindo bases militares americanas.
Analistas do banco SEB comentam que o aumento das tensões iranianas pode elevar o preço do Brent para US$ 80 por barril, enquanto uma diminuição nas hostilidades poderia reduzir o valor para cerca de US$ 60 por barril.
Enquanto a pressão das tensões mantém preços elevados, países integrantes da Opep+ indicam que pretendem retomar aumentos graduais na produção de petróleo a partir de abril. Essa decisão deve ser oficializada na reunião do grupo prevista para 1º de março, após uma pausa de três meses.
No comércio internacional, observa-se que as importações chinesas de petróleo russo devem aumentar pelo terceiro mês consecutivo, atingindo novo recorde em fevereiro. Essa alta ocorre em contexto de redução das compras indianas, pressionadas pelos Estados Unidos.
O mercado do petróleo, portanto, continua sensível aos desdobramentos das negociações entre Washington e Teerã, bem como às decisões dos grandes produtores mundiais e às dinâmicas do comércio global.
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Fonte: g1.globo.com
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