O Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris

O Secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, visitou a Venezuela em janeiro de 2024 para firmar acordos que permitem a venda do petróleo venezuelano aos EUA, cujo dinheiro gerado é controlado por Washington e repassado ao governo interino de Delcy Rodríguez. A iniciativa busca estabilizar a economia venezuelana e garantir que as receitas obtidas beneficiem a população local.
Desde a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro, em dezembro de 2023, o governo americano assumiu o controle parcial da indústria petrolífera venezuelana. Em 6 de janeiro, o presidente Joe Biden informou que entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo seriam vendidos aos EUA a preços de mercado, com o valor da venda sob supervisão direta dos Estados Unidos. O Departamento de Energia americano confirmou que o volume negociado continuaria de forma indefinida.
A estatal venezuelana PDVSA reconheceu o acordo comercial, comparando-o aos contratos existentes com a petroleira Chevron, e ressaltou a legalidade e o benefício mútuo da operação. Para viabilizar a venda, empresas internacionais como Vitol e Trafigura foram envolvidas no processo, atuando na comercialização e distribuindo o petróleo no mercado, principalmente em refinarias da Costa do Golfo dos EUA.
Essas empresas adquiriram o petróleo venezuelano por preços abaixo do valor do barril Brent, prática que mantém certa tradição na comercialização do produto, mas que passou a ser controlada em maior medida pelos EUA. A operação visa também resolver problemas de armazenamento e financiamento enfrentados pela Venezuela devido ao bloqueio marítimo imposto por Washington em dezembro.
De acordo com o secretário de Estado americano Marco Rubio, o governo venezuelano precisava de recursos urgentes para despesas essenciais, como pagamento de serviços públicos, saúde e segurança. O mecanismo de venda foi desenhado como uma solução temporária para evitar que as receitas do petróleo continuassem a financiar estruturas consideradas corruptas no passado.
O dinheiro obtido com as vendas, estimado inicialmente em US$ 500 milhões, fica sob controle americano. Os fundos são depositados em uma conta do Banco Central da Venezuela mantida no banco JP Morgan, em Nova York, e transferidos posteriormente para uma conta fiduciária no Catar, destinada a proteger os recursos de possíveis credores da dívida venezuelana.
Desse fundo, o governo venezuelano recebe os valores necessários para atender suas necessidades, mediante aprovação prévia dos Estados Unidos. O Banco Central da Venezuela realiza leilões de dólares por meio de quatro bancos locais, permitindo que empresas e indivíduos comprem moeda estrangeira para setores prioritários e gastos cotidianos.
Segundo o economista Alejandro Grisanti, cerca de 80% dos recursos têm sido direcionados a alimentos e medicamentos, 15% a outros setores produtivos e 5% a pessoas físicas. O governo americano acompanha o processo e trabalha na implementação de mecanismos de auditoria para garantir a utilização correta dos fundos.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que o sistema ainda apresenta falhas de transparência. A supervisão sobre quem autoriza a distribuição dos recursos e os critérios adotados permanece pouco clara para observadores externos. Economistas venezuelanos ressaltam a necessidade de aprimoramento no controle das taxas de câmbio utilizadas nos leilões e no funcionamento do Banco Central.
Até o fim de janeiro, o Banco Central já havia leiloado cerca de US$ 800 milhões, ritmo que pode alcançar US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2024, valor importante para a estabilidade cambial e econômica do país. O mecanismo temporário tem capacidade para gerir entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões, segundo estimativas do secretário Rubio.
Para analistas, o processo representa um passo em relação ao cenário anterior, marcado por dificuldades nas vendas de petróleo devido às sanções e uso frequente de intermediários ou criptomoedas para movimentar recursos. A ampliação dessas operações pode contribuir para reduzir a inflação e estimular o crescimento econômico, desde que o controle e aplicação dos recursos sejam efetivos.
Ainda existem desafios para ampliar o programa sem perder eficiência, sobretudo no manejo de maiores volumes e na rapidez na tomada de decisões. Especialistas recomendam atenção à transparência, supervisão e eficácia do sistema para garantir que os fundos sejam realmente destinados a necessidades essenciais e investimentos em infraestrutura.
A venda controlada do petróleo venezuelano e o repasse parcial das receitas aos cofres do governo de Delcy Rodríguez mostram como os Estados Unidos têm buscado influenciar a economia venezuelana por meio do setor energético, com objetivo declarado de promover estabilidade, combate à corrupção e melhoria das condições para a população.
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Fonte: g1.globo.com
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