O Carnaval de 1976 no Rio de Janeiro ficou marcado

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O Carnaval de 1976 no Rio de Janeiro ficou marcado por uma safra de sambas de enredo reconhecida pela qualidade musical e artística, registrada no álbum “Sambas de enredo das escolas de samba do grupo 1”, lançado no fim de 1975 pela gravadora Top Tape. O repertório daquele ano é lembrado meio século depois como referência diante da atual queda de qualidade apontada no Carnaval de 2026.

O samba “Os sertões”, de autoria de Edeor de Paula e apresentado pela escola Em Cima da Hora, destacava-se pela melodia mais lenta e pela riqueza da composição, características comuns à época, que valorizava o aspecto artístico sobre critérios políticos ou comerciais. Esse samba é citado em várias antologias como um dos melhores da história do gênero.

Além desse clássico, outras composições de 1976 também ganham destaque, como “No reino da Mãe do Ouro”, da Estação Primeira de Mangueira, com refrão popular que se manteve vivo na memória dos foliões por gerações. O Império Serrano trouxe “Lenda das sereias – Rainha do mar”, samba que ganhou nova vida com a interpretação de Marisa Monte em 1989, e que faz parte das apresentações atuais da cantora.

A Beija-Flor de Nilópolis estreou na vitória em 1976 com “Sonhar com rei dá leão”, samba de Neguinho da Beija-Flor que, junto ao trabalho do carnavalesco Joãosinho Trinta, abriu caminho para a profissionalização do desfile e a ampliação da disputa para outras escolas além das tradicionais quatro grandes do Rio.

Outras escolas também contribuíram para a riqueza musical do ano. A Mocidade Independente de Padre Miguel, futura campeã em 1979, apresentou o samba “Menininha do Gantois”, enquanto a Portela destacou-se com “O homem do Pacoval”. A Unidos da Vila Isabel trouxe “Invenção de Orfeu”, outro samba com melodia e letra alinhadas ao padrão da escola.

Nem todos os sambas de 1976 tiveram a mesma repercussão ou qualidade, como os da Imperatriz Leopoldinense e da Tupy de Brás de Pina, que sofreram limitações pela falta de impacto e por enredos com abordagem ufanista em um período de ditadura militar. Ainda assim, alguns sambas considerados medianos à época poderiam ser resgatados com mais apreço na atualidade.

Sambas como “Poema de máscaras em sonhos” da União da Ilha do Governador e “Folia de reis” da Lins Imperial, embora não estejam entre os mais lembrados, apresentam qualidades melódicas e poéticas que ressaltam o lirismo presente naquele Carnaval. O samba “Arte negra na legendária Bahia” da Unidos de São Carlos, reeditado em 2005 pela Estácio de Samba, também faz parte desse conjunto.

A Unidos de Lucas contribuiu com “Mar baiano em noite de gala”, samba inspirado na ancestralidade afro-brasileira, tema recorrente na época. Por fim, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou “Valongo”, samba interpretado por Dinalva, única voz feminina registrada no álbum.

O registro em LP dos sambas de 1976 permanece como testemunho de um período em que o samba de enredo alcançava seu auge, consolidando-se entre as décadas de 1960 e 1980, antes do predomínio dos fatores políticos e comerciais que passaram a influenciar a escolha e composição das canções. A comparação com a safra atual evidencia mudanças no gênero e reforça a importância desse legado para a cultura do Carnaval carioca.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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