Os pedidos de falência entre agricultores dos Estados

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Os pedidos de falência entre agricultores dos Estados Unidos aumentaram 46% em 2025 em comparação com 2024, segundo a American Farm Bureau Federation (AFBF). Ao todo, 315 solicitações foram registradas, refletindo a pressão financeira enfrentada pelo setor no ano do tarifaço imposto pelo governo Trump.

A regra conhecida como “Capítulo 12”, que permite pedidos de falência específicos para agricultores e pescadores familiares, exige comprovação de que a maior parte das dívidas está relacionada à atividade rural. O pedido é considerado o último recurso para que o produtor possa continuar operando.

A economista Samantha Ayoub, da AFBF, destaca que o setor de grãos enfrenta perdas significativas pelo segundo ano consecutivo, e segmentos da pecuária seguem com margens de lucro reduzidas. As regiões do Meio-Oeste e do Sudeste foram as mais afetadas, com crescimento nos pedidos de falência de 70% e 69%, respectivamente.

De acordo com a associação, pedidos de falência tendem a subir em momentos de dificuldades prolongadas, quando produtores buscam empréstimos maiores e prazos mais longos para pagamento. No quarto trimestre de 2025, a concessão de empréstimos para esse fim aumentou 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que a dívida total do setor agrícola aumente 5,2% em 2026, alcançando US$ 624,7 bilhões. Conforme a AFBF, esses recursos estão sendo usados principalmente para cobrir custos com insumos, como fertilizantes e sementes, e não para investimentos em crescimento.

A pressão financeira decorre da combinação de baixos preços das safras, aumento dos custos de mão de obra e insumos, e redução das exportações, especialmente da soja. As disputas comerciais iniciadas com o tarifaço imposto no governo Trump geraram retaliações de outros países, como a China, afetando diretamente os agricultores americanos.

Shawn Arita, diretor associado do Agricultural Risk Policy Center da North Dakota State University, estimou que as perdas agrícolas com as principais commodities, incluindo milho, soja, trigo e amendoim, variam entre US$ 35 bilhões e US$ 44 bilhões. Além disso, o setor pecuário também enfrenta problemas, com o rebanho bovino atingindo o menor tamanho desde 1951.

A seca nos estados do oeste dos EUA afetou as pastagens, elevando os custos de alimentação e levando pecuaristas a reduzir o número de animais por meio do abate. As restrições à importação de gado mexicano, suspensa desde maio devido à preocupação com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, agravaram a oferta no mercado.

Para amenizar a crise, o governo dos Estados Unidos anunciou em dezembro um pacote de ajuda de US$ 11 bilhões direcionado aos agricultores, após pedidos de apoio para a compra de sementes e fertilizantes para o próximo plantio.

A perspectiva para o setor agrícola permanece desafiadora, sem sinais claros de recuperação a curto prazo. A alta das dívidas e os custos crescentes seguem limitando a capacidade de investimento dos produtores.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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