A cantora colombiana Shakira fará um show gratuito no dia 2 de maio, na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, como atração do evento “Todo Mundo no Rio”. A apresentação mira um público estimado em um milhão de pessoas e reafirma a trajetória da artista no Brasil, construída com uma estratégia de divulgação e adaptação cultural iniciada na década de 1990.
Antes do sucesso nas paradas brasileiras, Shakira participou de programas de TV e rádio em várias regiões do país, incluindo uma entrevista no “Domingo Legal”, em 1997, comandado por Gugu Liberato. Na ocasião, a cantora realizou coreografias que mesclavam samba, dança do ventre e movimentos de dança populares, estratégias recomendadas pela Sony Music para conquistar o público local.
A gravadora investiu aproximadamente US$ 2,8 milhões para impulsionar a carreira da artista no Brasil, um mercado tradicionalmente difícil para estrangeiros devido ao predomínio de música nacional, que responde por 75% do consumo em streaming, segundo dados da empresa Luminate. Luiz Calainho, ex-diretor de marketing da Sony Music Brasil, foi o responsável pela formulação dessa estratégia integrada.
Além da presença em rádio e TV, o plano incluiu entrevistas na Colômbia, aproximação com comerciantes e apresentação de shows em diversos pontos do país, abrangendo tanto grandes capitais quanto cidades do interior. Exemplos disso são as apresentações em Barretos e Ribeirão Preto, no interior paulista, cujos ingressos tinham preços acessíveis para a época.
Outro fator decisivo para o sucesso foi a parceria com a rádio Jovem Pan, que na época era a emissora mais ouvida pelos jovens brasileiros. A emissora recebeu US$ 1 por disco vendido, tornando-se sócia da campanha promocional. Shakira vendeu mais de um milhão de cópias no Brasil, o que gerou à Jovem Pan um lucro significativo e reforçou a disseminação de suas músicas.
O mercado fonográfico da época permitia investimentos elevados devido à alta rentabilidade da venda de CDs e vinis. Luiz Calainho destaca que, naquela época, a margem de lucro era grande porque o custo de produção e direitos autorais era baixo em comparação ao preço final ao consumidor. Atualmente, a maior parte da receita da indústria vem do streaming, que responde por 88% do total, enquanto os discos físicos representam apenas 0,6%.
Além do investimento financeiro, Shakira demonstrou disposição em participar de programas de variedades e se adaptar ao público brasileiro. Em uma entrevista no Programa Livre, ela respondeu a pedidos do público e participou como jurada de quadros como “A Banheira do Gugu”. Ela também aprendeu a falar português, o que contribuiu para sua identificação com o público local.
Luiz Calainho observa que a dinâmica do mercado e o comportamento dos artistas mudaram nos últimos 30 anos, com menos presença em mídia tradicional e maior domínio das plataformas digitais. Naquela época, a mobilização do artista era central para o sucesso da carreira. Hoje, algumas ações e aparições que marcaram o início da carreira de Shakira no Brasil seriam inviáveis.
O show de Shakira em Copacabana segue o legado de grandes apresentações gratuitas na praia, como as de Madonna e Lady Gaga, e demonstra como a artista continua relevante para o público brasileiro. A escolha do Rio de Janeiro como palco reforça a importância do público local para sua carreira.
Em resumo, a trajetória de Shakira no Brasil envolveu uma combinação de investimentos financeiros, presença em múltiplas mídias, adaptação cultural e interação próxima com o público. Esses elementos abriram caminho para que a artista colombiana conquistasse espaço em um mercado competitivo e alinhado com a música nacional.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

