Um conteúdo considerado de baixa qualidade gerado por inteligência artificial, conhecido como “AI slop”, tem se espalhado nas redes sociais desde 2022, gerando debate sobre seu impacto entre usuários e especialistas. Essa produção rápida e pouco convincente inclui imagens e vídeos com elementos incoerentes, que atraem grande engajamento, mas também críticas e preocupação.
O termo “AI slop” foi popularizado por Théodore, estudante francês de 20 anos, que identificou no Facebook e outras plataformas imagens geradas por IA com erros evidentes, como crianças com barbas ou membros faltando. Ele criou a conta “Insane AI Slop” no X (antigo Twitter) para denunciar e ironizar esse tipo de conteúdo, ganhando mais de 133 mil seguidores.
Temas recorrentes nessas produções incluem cenas religiosas, militares e histórias com crianças pobres em situações comoventes. Conteúdos assim costumam viralizar porque despertam emoção e engajamento dos usuários. No entanto, essa presença massiva de conteúdos artificiais provoca dúvidas sobre autenticidade e qualidade nas redes.
Empresas de tecnologia abraçam a inteligência artificial para ampliar a criação de conteúdos nas mídias sociais. Em teleconferência de resultados em outubro, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que as redes sociais entraram numa “terceira fase” centrada na IA, que facilita criar e remixar conteúdos. O YouTube também reportou que mais de 1 milhão de canais usaram ferramentas baseadas em IA, e trabalha para reduzir conteúdos considerados repetitivos e de baixa qualidade.
Segundo pesquisa da empresa Kapwing, cerca de 20% dos vídeos exibidos para novos usuários no YouTube são gerados por IA e de qualidade questionável. O maior canal de AI slop identificado é o indiano Bandar Apna Dost, com mais de 2 bilhões de visualizações e receita estimada em 4 milhões de dólares anuais.
Ainda que o AI slop atraia muitos usuários, cresce também a reação contrária. Nos comentários, é comum encontrar mensagens críticas e denúncias da propaganda enganosa, especialmente em vídeos que apresentam cenas perturbadoras ou absurdas. O estudante Théodore tem colaborado para reportar conteúdos nocivos, levando à remoção de canais pelo YouTube por violação das diretrizes.
Além do impacto no entretenimento, a proliferação do AI slop preocupa especialistas por seu efeito na desinformação e na capacidade de discernimento dos usuários. Alessandro Galeazzi, pesquisador italiano, alerta para o risco do “brain rot” (apodrecimento cerebral), causado pelo consumo acelerado de conteúdos sem significado ou sentido. Ele destaca que verificar a autenticidade desses vídeos exige esforço mental crescente, e teme que as pessoas abandonem essa prática.
As plataformas têm reduzido suas equipes de moderação, confiando em ações dos próprios usuários para identificar conteúdos falsos. Essa estratégia dificulta o controle da circulação de AI slop e conteúdos que podem causar danos, como vídeos manipulados usados em campanhas de desinformação.
Especialistas propõem a criação de sistemas que comprovem a origem e autenticidade dos conteúdos postados, em vez de tentar detectar as falsificações. No entanto, a implantação dessas tecnologias enfrenta desafios técnicos e mercadológicos.
O panorama indica que o AI slop, embora contestado, deve continuar presente nas redes sociais. Projetos de redes alternativas com foco em autenticidade ainda não desafiaram as plataformas dominantes, em parte pela dificuldade de detecção e classificação desse tipo de conteúdo.
Para Théodore, a poluição digital causada pelo AI slop é um problema real, mas difícil de reverter. Ele defende o uso consciente da IA e combate ao conteúdo feito apenas para gerar visualizações rápidas, sem preocupação com a qualidade ou veracidade.
Palavras-chave relacionadas: inteligência artificial, AI slop, redes sociais, desinformação, Meta, YouTube, Mark Zuckerberg, desinformação digital, conteúdo gerado por IA, moderação de conteúdo, desinformação na internet, algoritmos, engajamento social, vídeo viral, verificação de fatos.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

