Jovens expõem publicamente o uso de drogas no TikTok por meio de vídeos que alcançam milhões de visualizações, principalmente sob a hashtag #Pingtok, segundo levantamento recente. Essa prática ocorre em várias partes do mundo, destacando um novo fenômeno em que o consumo de entorpecentes deixa de ser oculto para ser exibido, despertando preocupação em especialistas e familiares.
No TikTok, adolescentes mostram pupilas dilatadas e momentos de euforia provocada por drogas, frequentemente gravados sozinhos. O fenômeno revela uma mudança no comportamento dos jovens, que antes consumiam substâncias em segredo, mas agora compartilham essas experiências como parte de sua rotina online.
De acordo com a influenciadora Sarah, que venceu o vício em drogas e hoje aborda o tema em seu perfil, muitos seguidores, incluindo menores de idade, entram em contato para relatar seus traumas e experiências. “Eles não têm com quem conversar sobre isso,” afirmou Sarah em entrevista, ressaltando o papel das redes sociais como espaço para compartilhamento e busca por apoio.
O TikTok afirma atuar rapidamente para remover conteúdos que promovam o uso de drogas, mas a plataforma enfrenta dificuldades devido à adaptação dos usuários. Eles utilizam códigos, emojis e algospeak – uma linguagem que dificulta a detecção automática – para contornar a moderação. A hashtag original #Pingtok foi bloqueada, mas versões alternativas continuam circulando.
Além de divulgar o uso, o TikTok tem funcionado como um mercado informal para o tráfico de drogas. Comentários em vídeos indicam a oferta direta de entorpecentes, com símbolos que convidam para conversas em aplicativos externos como o Telegram. Segundo Sarah, esse modelo permite que jovens adquiram drogas sem sair de casa, ampliando o alcance e rapidez das vendas.
Estatísticas oficiais apontam para um aumento considerável nas mortes relacionadas a drogas, principalmente entre pessoas com menos de 30 anos. Dados do Departamento Federal de Polícia Criminal da Alemanha indicam quase o dobro de óbitos em uma década, com crescimento de 14% em 2024 na faixa etária jovem. Nos Estados Unidos, mais de dois terços das overdoses fatais acontecem em casa, muitas vezes sem possibilidade de intervenção imediata.
Frente a esse cenário, alguns países têm implementado restrições mais rígidas para proteger menores nas redes sociais. A Austrália foi pioneira ao proibir o acesso a essas plataformas para pessoas abaixo de 16 anos. Reino Unido, Dinamarca e França também estudam medidas semelhantes. A União Europeia avalia se as regras atuais são suficientes para a proteção dos jovens e debate imposições mais severas.
Especialistas alertam que a remoção total de conteúdos relacionados ao uso de drogas pode afetar negativamente pessoas que buscam apoio nas redes sociais. A pesquisadora Layla Bouzoubaa, com base em análises de centenas de vídeos, apontou que mais da metade do material aborda prevenção, superação e ajuda, e não a glorificação do consumo. Ela defende a moderação cuidadosa, que envolva as comunidades afetadas, para não eliminar canais essenciais de suporte.
A influenciadora Sarah também enfatiza que iniciativas de prevenção devem considerar o ambiente digital, onde grande parte do contato com o tema acontece hoje. “Agentes de combate às drogas e assistentes sociais precisam monitorar o online, especialmente por causa dos menores de idade,” destacou. Ela reforça que o TikTok pode ser usado como ferramenta para conscientização, e não para exaltação do vício.
O fenômeno #Pingtok no TikTok evidencia como o consumo e a comercialização de drogas se adaptaram às novas tecnologias, mudando a dinâmica da exposição e do risco. A resposta das plataformas, governos e sociedade precisará equilibrar proteção, moderação e apoio, considerando as complexidades da interação digital dos jovens.
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Palavras-chave: TikTok, uso de drogas, jovens, Pingtok, drogas nas redes sociais, vício, prevenção, tráfico de drogas, moderação digital, algospeak, relatos de dependentes, redes sociais e saúde pública.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

