O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (6) um decreto para ampliar em 80 mil toneladas métricas a cota de importação de aparas magras de carne bovina argentina em 2026, com tarifas reduzidas, com o objetivo de conter a alta dos preços da carne no país. A medida é uma resposta ao aumento do custo de vida e às críticas direcionadas ao governo americano.
As aparas magras são retalhos de carne bovina com baixo teor de gordura, gerados durante o processo de desossa e corte das peças maiores. A ampliação da importação busca aumentar a oferta do produto no mercado norte-americano, que enfrenta pressão sobre os preços do alimento.
Economistas consultados pela agência Reuters indicam que o aumento das importações dificilmente reduzirá os preços para o consumidor final. Eles avaliam que os benefícios devem recair principalmente sobre as empresas do setor alimentício, e não diretamente sobre os trabalhadores ou consumidores americanos.
Setores ligados à pecuária nos Estados Unidos manifestaram-se contrários à medida. A senadora republicana Deb Fischer, representante de Nebraska, importante estado produtor de gado, afirmou que o governo deveria focar em políticas para reduzir a burocracia, cortar custos de produção e expandir o rebanho nacional, em vez de ampliar importações que, segundo ela, prejudicam os pecuaristas locais.
Dados do governo americano apontam que, em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, equivalentes a 2% do total das importações do produto no país.
A decisão de Trump faz parte de um contexto mais amplo de aproximação comercial entre os Estados Unidos e a Argentina. Na quinta-feira (5), ambos os países assinaram um acordo que prevê a redução de tarifas e um plano bilateral de investimentos, abrangendo também a cooperação em materiais críticos, alinhada à estratégia americana de diminuir a dependência da China.
O acordo abrange investimentos dos EUA em toda a cadeia de exploração, refino, processamento e exportação de minerais críticos na Argentina. O embaixador e negociador comercial americano, Jamieson Greer, destacou que a parceria entre Trump e o presidente argentino Javier Milei serve como modelo para avanços econômicos e segurança entre as Américas.
O documento indica que o acordo entrará em vigor 60 dias após a conclusão dos trâmites legais internos dos dois países, ou em data acordada. Após a vigência, a Argentina reduzirá ou eliminará tarifas em milhares de produtos americanos, incluindo a abertura de cotas isentas para 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Os EUA, por sua vez, eliminarão tarifas em produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão sobretaxas a 10% para outros bens.
Além disso, o acordo prevê o fim da taxa estatística cobrada pela Argentina sobre importações dentro de três anos. As reduções tarifárias ocorrerão de forma gradual, no primeiro dia de cada ano.
O governo argentino destacou que o acordo consolida uma relação estratégica com os EUA, baseada na abertura econômica e regras claras para o comércio internacional. A administração de Milei apontou que a parceria reforça a inserção da Argentina no mercado global.
O acordo também facilita o acesso de investimentos americanos a setores estratégicos argentinos, como energia, infraestrutura, tecnologia, bens de capital, defesa e financiamento, com foco em segurança energética, industrialização e modernização das comunicações.
Paralelamente, o Brasil participou de uma reunião nos Estados Unidos, liderada pelo vice-presidente americano J.D. Vance, que discute a formação de um bloco comercial para minerais críticos. O governo brasileiro ainda avalia sua participação, considerando o tema complexo e requerendo deliberação bilateral.
Em resumo, a medida de Trump para ampliar importações de carne argentina integra uma estratégia mais ampla de reformas comerciais e de investimentos com o país sul-americano, em um contexto de pressão interna pelo controle da inflação e revisão das cadeias de suprimento estratégicas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

