O álbum “Meus caros amigos”, de Chico Buarque, completou 50 anos em 2026, consolidando-se como um marco na carreira do artista durante o período da ditadura militar no Brasil. Lançado em 1976 pela gravadora Philips, o disco reúne composições que expressam críticas ao regime por meio de letras metafóricas e temáticas variadas, refletindo o contexto de censura da época.
Chico Buarque, já reconhecido nacionalmente desde a década de 1960, enfrentava forte repressão. Após seu autoexílio em 1969 para evitar prisão, o compositor teve que usar pseudônimos para burlar a censura, como no álbum anterior “Sinal fechado” (1974). “Meus caros amigos” marcou a volta do artista ao seu trabalho autoral solo, com músicas desenvolvidas para trilhas sonoras de filmes e espetáculos teatrais, produzidas em um momento em que a liberdade de expressão estava limitada no país.
A produção do disco ficou a cargo de Sérgio Carvalho, com arranjos a cargo de Francis Hime, Luiz Cláudio Ramos e Perinho Albuquerque. O repertório inclui sucessos como “O que será (À flor da terra)”, tema do filme “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), e “Mulheres de Atenas”, escrita em parceria com o dramaturgo Augusto Boal, que usa a história da Grécia antiga para criticar a submissão imposta pelo regime militar.
O álbum também traz “Olhos nos olhos”, uma canção que ganhou destaque na voz de Maria Bethânia, mas cuja versão de Chico Buarque apresenta uma interpretação mais melancólica, valorizada pelo arranjo orquestral. A faixa “Você vai me seguir”, composta para a peça “Calabar – O elogio da traição” (1973), foi incluída por sobrar na seleção anterior, sendo apontada como menos expressiva por demandar maior intensidade vocal.
Entre os sambas, “Vai trabalhar, vagabundo” destacou-se como tema do filme homônimo de Hugo Carvana e foi gravada tanto por Chico quanto pelo grupo MPB4. Outra música de impacto é “Corrente”, com letra crítica e arranjo elaborado por Perinho Albuquerque, que ressaltou a ironia e os jogos de sentido presentes nos versos sobre repressão e resistência.
O álbum também conta com três composições fruto da parceria entre Chico Buarque e Francis Hime: “A noiva da cidade”, “Passaredo” e “Meu caro amigo”. “A noiva da cidade”, tema do filme de Alex Viany, evoca um tom melancólico com vozes femininas como Bebel Gilberto, Miúcha e Olivia Hime. “Passaredo” antecipou discursos ambientalistas, enquanto “Meu caro amigo” encerra o disco com uma carta musical destinada a Augusto Boal, exilado na época, mostrando o contexto político por meio das dificuldades enfrentadas.
Além dessas, o álbum inclui “Basta um dia”, composta para a peça “Gota d’água” (1975), reforçando a diversidade temática do trabalho. Apesar das múltiplas origens das canções, o disco mantém coerência e unidade, refletindo o momento histórico e a expressão artística de Chico Buarque.
Cinquenta anos após seu lançamento, “Meus caros amigos” permanece como uma obra representativa da resistência cultural durante a ditadura militar, com letras que, mesmo marcadas pela censura, alcançaram atualidade e relevância. O álbum é frequentemente comparado a “Construção” (1971), outro título emblemático da discografia do artista. A capa, com design de Aldo Luiz e fotografia de Orlando Abrunhosa, registrou a imagem de Chico naquele período.
O disco tem sido considerado um “best of” da fase em que o compositor superou as barreiras da repressão, consolidando sua posição na música brasileira e na crítica social por meio da arte.
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Fonte: g1.globo.com
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