A Eletronuclear tem recursos financeiros suficientes apenas até meados de março e corre risco de colapso caso não haja uma solução para a situação da usina nuclear de Angra 3, informou o presidente interino da estatal, Alexandre Caporal, ao g1. A empresa solicita que bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas ao empreendimento até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o futuro da usina.
Caporal alertou que, sem essa suspensão, a Eletronuclear pode enfrentar uma crise semelhante à dos Correios, que enfrenta dificuldades econômicas graves. A pausa nos pagamentos, já concedida por seis meses em 2024, ajudaria a controlar as finanças da empresa enquanto o CNPE decide como proceder com Angra 3, cujas obras estão paralisadas há cerca de dez anos.
A definição sobre o empreendimento está em aberto há anos. Em 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que uma decisão seria tomada até o final daquele ano, mas isso não ocorreu. Procurado, o Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, não respondeu sobre quando o tema será incluído na pauta do conselho.
Caporal ressaltou que a estatal não necessita atualmente de aporte do Tesouro Nacional para cumprir seus compromissos, mas enfatizou que a suspensão das cobranças das dívidas pelos bancos credores é essencial para a sustentabilidade da empresa. Segundo ele, o serviço da dívida será de R$ 800 milhões em 2026, e, somado aos custos de manutenção da usina, os gastos ultrapassam R$ 1 bilhão ao ano.
O presidente interino alertou que, se a decisão sobre Angra 3 for mais uma vez adiada e a situação financeira se agravar, pode ser necessário um aporte emergencial para evitar as consequências de um colapso financeiro. Ele destacou ainda o risco de a empresa entrar em default com fornecedores e bancos caso não haja uma solução rápida.
“Sem um evento extraordinário de liquidez, possivelmente vamos entrar em default com fornecedores e principalmente com os próprios bancos”, afirmou Caporal.
Ele também indicou que apenas uma solução estrutural, como a definição clara sobre a usina, poderá estabilizar a Eletronuclear. Medidas temporárias de liquidez, adotadas nos últimos ano e meio, não serão suficientes para garantir a viabilidade da estatal a longo prazo.
A Eletronuclear é responsável pela operação das usinas nucleares brasileiras, incluindo Angra 1 e Angra 2, além do projeto Angra 3, que tem suas obras interrompidas. O impasse em torno da continuidade do empreendimento afeta diretamente a saúde financeira da empresa e o futuro do setor nuclear no Brasil.
Sem uma resolução definitiva, a Eletronuclear segue enfrentando dificuldades para gerir suas obrigações financeiras enquanto aguarda um posicionamento do CNPE, órgão que deve decidir os rumos do projeto.
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Fonte: g1.globo.com
Fonte: g1.globo.com

