Um estudo da Universidade de Oxford, divulgado em

Um estudo da Universidade de Oxford, divulgado em janeiro de 2024, revelou que o ChatGPT, sistema de inteligência artificial da OpenAI, apresenta respostas preconceituosas sobre diferentes regiões do Brasil, classificando moradores do Sudeste como “mais inteligentes” e atribuindo avaliações inferiores às regiões Norte e Nordeste. A análise foi feita a partir de 20,3 milhões de consultas feitas à ferramenta.
Segundo o estudo, o ChatGPT classificou pessoas de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal como mais inteligentes em testes que questionavam onde as pessoas têm maior inteligência. Em contrapartida, regiões como Maranhão e Amazonas receberam pontuações significativamente mais baixas.
Pesquisadores explicaram que utilizaram um sistema de pontuação para transformar as respostas da IA em um ranking comparativo por região. De acordo com o estudo, esse padrão de classificação está relacionado às diferenças raciais entre regiões, já que o Norte e o interior do país têm populações majoritariamente indígenas, negras e pardas. Essa associação reflete construções históricas sobre raça e inteligência percebida.
Além das comparações regionais, o ChatGPT também indicou bairros considerados “mais bonitos” em grandes cidades como Rio de Janeiro, Londres e Nova York. No caso do Rio, os bairros de Ipanema, Leblon e Copacabana foram classificados nos primeiros lugares. Bairros com maior proporção de moradores brancos apareceram em posições superiores, enquanto áreas com populações majoritariamente não brancas ficaram em posições inferiores.
Os autores do estudo afirmam que a IA reproduz uma associação histórica entre branquitude, riqueza e padrões de beleza, apresentando bairros mais ricos e brancos como “belos” e áreas mais pobres como “degradadas”. Essa representação reforça estigmas sociais e raciais presentes na sociedade.
No âmbito cultural, o Brasil recebeu pontuações altas nas categorias “música” e “músicos” nos rankings gerados pelo ChatGPT, empatando com a Nigéria. O modelo condensa referências amplamente divulgadas na mídia global, como samba, bossa nova, carnaval e funk, para associar o país a uma forte identidade musical.
Em contrapartida, as regiões classificadas com as piores músicas foram principalmente países da África, segundo o estudo. Esse posicionamento também reflete o viés presente nas bases de dados usadas para treinar o sistema de inteligência artificial.
O estudo evidencia como modelos de linguagem podem reproduzir preconceitos e estereótipos culturais e raciais presentes nas sociedades. Pesquisadores alertam para a necessidade de melhorias nos sistemas de IA para mitigar vieses e promover representações mais justas e neutras.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com