Elon Musk anunciou nesta segunda-feira (2) planos para lançar até um milhão de satélites para criar data centers no espaço alimentados por energia solar, com o objetivo de levar o processamento de inteligência artificial (IA) para fora da Terra, reduzindo o consumo energético dos centros tradicionais. A iniciativa ganhou impulso após a SpaceX, empresa de foguetes de Musk, adquirir a xAI, companhia especializada em inteligência artificial.
Segundo Musk, a energia solar seria constante no espaço, o que facilitaria a operação dos data centers. “No espaço, sempre faz sol!”, afirmou em comunicado. Ele também afirmou, em uma entrevista que será divulgada em breve, que em até 36 meses o espaço se tornará o local economicamente mais atraente para operações de IA.
Entretanto, especialistas apontam desafios técnicos, financeiros e ambientais para a concretização do projeto. Entre os principais obstáculos está a dissipação do calor gerado pelos componentes eletrônicos. Embora o espaço seja frio, ele é um vácuo, que dificulta o resfriamento dos equipamentos, conforme explica o professor Josep Jornet, da Northeastern University.
“Atualmente, radiadores infravermelhos usados na Estação Espacial Internacional ajudam a eliminar calor, mas para data centers gigantescos seriam necessárias estruturas enormes e frágeis, sem precedentes”, diz Jornet. O excesso de calor pode levar ao superaquecimento e falhas nos chips.
Outro ponto crítico é o risco crescente de colisões e acúmulo de lixo espacial. A Starlink, rede de satélites da SpaceX, já colocou cerca de 10 mil unidades em órbita, mas Musk planeja aumentar esse número para milhões. Especialistas alertam que há um limite para a densidade segura de satélites. “A velocidade dos objetos pode causar colisões violentas e desencadear uma cascata de detritos, comprometendo sistemas vitais”, observa John Crassidis, ex-engenheiro da NASA.
Além disso, a manutenção dos satélites no espaço apresenta dificuldades. Diferente dos data centers na Terra, onde técnicos substituem GPUs e servidores, reparos no espaço são inviáveis. Chips expostos a partículas solares de alta energia têm maior probabilidade de sofrer danos, segundo Baiju Bhatt, CEO da empresa de energia solar espacial Aetherflux.
Bhatt sugere que satélites sejam equipados com chips extras para substituição automática, porém esse método elevam os custos, uma vez que cada chip pode custar dezenas de milhares de dólares. Além disso, a vida útil dos satélites, como os da Starlink, é limitada a cerca de cinco anos.
A iniciativa de Musk também faz parte de uma competição crescente no setor de IA no espaço. A Starcloud, empresa de Washington, enviou em novembro um satélite com chip de IA da Nvidia para testes orbitais. O Google estuda data centers no espaço por meio do Projeto Suncatcher e a Blue Origin planeja lançar milhares de satélites voltados para comunicações.
Musk detém vantagens estratégicas na corrida espacial, principalmente pelo uso dos foguetes Falcon da SpaceX. Empresas concorrentes têm dependido da capacidade de lançamento da SpaceX, o que pode consolidar o domínio de Musk no setor, segundo Pierre Lionnet, diretor de pesquisa da associação Eurospace.
“Os anúncios recentes indicam que Musk pretende usar seus baixos custos de lançamento para se manter à frente na corrida pelos data centers espaciais”, afirma Lionnet. Ele ressalta que os valores cobrados pela SpaceX a concorrentes podem ser dez vezes maiores do que os praticados internamente.
O projeto de Musk, apesar dos desafios, levanta a discussão sobre a expansão da infraestrutura tecnológica no espaço para atender à demanda crescente por processamento de IA, cujo consumo energético já é comparável ao de milhões de residências.
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Palavras-chave: Elon Musk, SpaceX, data centers espaciais, inteligência artificial, satélites, energia solar, lixo espacial, refrigeração de chips, corrida espacial, tecnologia espacial.
Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com

