O preço do ouro alcançou US$ 5 mil por onça troy pela primeira vez na história em janeiro de 2026, impulsionado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas globais. Investidores recorrem ao metal como uma forma de proteger seu patrimônio diante dos riscos financeiros e das expectativas sobre políticas monetárias.
A valorização do ouro ultrapassou 60% em 2025, refletindo o aumento da demanda em um cenário marcado pelo conflito entre os Estados Unidos e a Otan sobre a Groenlândia e as ameaças comerciais do presidente americano Donald Trump. No final de janeiro, Trump anunciou possível tarifa de importação de 100% ao Canadá caso o país fechasse acordo com a China, gerando nervosismo nos mercados.
Além do ouro, a prata também atingiu novo recorde, chegando a US$ 100 a onça troy em 23 de janeiro, após alta de quase 150% no ano anterior. Entre os fatores que impulsionam a procura por metais preciosos estão a inflação elevada, a desvalorização do dólar, a compra crescente por bancos centrais e a expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve.
A redução das taxas de juros tende a diminuir os rendimentos dos títulos públicos, levando investidores a buscar ativos como ouro e prata. Especialistas indicam que essa dinâmica explica parte da escalada recente dos preços. Ahmad Assiri, estrategista da corretora australiana Pepperstone, destaca que o custo de oportunidade de manter títulos governamentais torna o ouro mais atraente.
Conflitos como a guerra na Ucrânia, na Faixa de Gaza e a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro também contribuíram para o aumento do valor do metal. O historiador econômico Philip Fliers, da Universidade de Belfast, ressalta que quando as finanças globais enfrentam crises, ocorre uma “corrida ao ouro”, envolvendo governos e investidores.
Em 2025, o ouro registrou o maior aumento anual desde 1979, impulsionado por incertezas políticas e econômicas, incluindo as ameaças tarifárias de Trump e a preocupação sobre possíveis bolhas no setor de tecnologia e inteligência artificial. Susannah Streeter, estrategista-chefe do Wealth Club, afirma que o metal “não conhece fronteiras” diante das atuais tensões comerciais.
Investidores aplicam recursos tanto na compra física do metal quanto em produtos financeiros ligados ao ouro, como fundos negociados em bolsa (ETFs). No entanto, o historiador Philip Fliers alerta que o ouro não está isento de riscos e pode apresentar volatilidade, como ocorreu no início da pandemia da covid-19, quando os preços subiram rapidamente, mas caíram pouco depois.
A história do ouro mostra seu valor simbólico e material ao longo dos séculos, de artefatos históricos no Egito e na Índia até sua função como reserva monetária. A oferta mundial é limitada; até hoje, foram extraídas cerca de 216 mil toneladas, volume suficiente para encher algumas piscinas olímpicas.
A maior parte do ouro disponível foi extraída após 1950, com avanços tecnológicos e novas minas. Estima-se que ainda existam cerca de 64 mil toneladas em reservas subterrâneas, mas a produção futura deve atingir um patamar estável.
O investimento em ouro é utilizado por indivíduos e governos para diversificação e proteção contra riscos. Nicholas Frappell, da ABC Refinery, destaca que o ouro não depende da dívida ou do desempenho de empresas. Já Philip Fliers aponta que os bancos centrais, comprando grandes volumes de ouro, influenciam os preços recentes para fortalecer reservas diante da volatilidade dos mercados.
A mudança na preferência por ouro em detrimento do dólar é observada por especialistas como Nikos Kavalis, da Metals Focus, que ressalta impacto direto na valorização do metal. Apesar do aumento contínuo, Frappell alerta que notícias positivas globais podem reverter esta tendência, tornando o investimento em ouro arriscado em curto prazo.
“A estratégia de investimento em ouro deve ser de longo prazo, pois o metal tende a perder atratividade quando a estabilidade retorna”, afirma Fliers.
Além do aspecto financeiro, o ouro tem papel cultural em diferentes países. Na Índia, por exemplo, o festival Diwali é uma data tradicional para compra de ouro, considerada propícia para atrair sorte e riqueza. O banco Morgan Stanley estima que famílias indianas detenham US$ 3,8 trilhões em ouro, equivalente a quase 90% do PIB do país.
Na China, maior mercado consumidor, a compra de ouro aumenta em períodos sazonais, como perto do Ano Novo Chinês. Nikos Kavalis destaca que a demanda costuma crescer nesse momento, refletindo crenças populares sobre prosperidade.
Em conclusão, o ouro tem se mostrado um refúgio para investidores em meio a turbulências econômicas e políticas. No entanto, a volatilidade e a influência de fatores externos exigem cautela. A recomendação de especialistas é tratar o metal como parte de uma estratégia diversificada e com visão de longo prazo.
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Fonte: g1.globo.com
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