O pênis bovino, também chamado de vergalho, é utilizado no

O pênis bovino, também chamado de vergalho, é utilizado no Brasil como petisco para cães e exportado para países da Ásia, onde é consumido como alimento afrodisíaco, especialmente na China. Essa prática ocorre diariamente, envolvendo frigoríficos de todo o país, que extraem, higienizam e embalam o órgão para diferentes mercados.
Na medicina tradicional chinesa, o consumo do pênis de animais é associado ao aumento da libido masculina e à melhora da ereção. O pênis bovino é valorizado por sua capacidade de absorver temperos e pode ser consumido cozido, ensopado, desidratado ou em pó, sendo a forma desidratada a mais comum. O uso principal na Ásia é com cabrito e porco, mas o bovino também é apreciado.
No Brasil, o vergalho tem outro destino: é transformado em petiscos para cães, que, segundo fabricantes, ajudam a entreter os animais e contribuem para a higiene bucal. O produto chega ao mercado interno com preços que variam conforme o peso, enquanto a maior parte da produção é exportada para o mercado asiático.
A extração do pênis bovino é simples, conforme explica Marcos de Paula, especialista em exportação da Sul Beef. Diferente dos humanos, o órgão do boi é interno e pode atingir até um metro de comprimento. Após a retirada, o vergalho é limpo, as membranas são retiradas e o produto é embalado individualmente.
Além do vergalho, outras partes do boi são aproveitadas: os chifres são transformados em berrantes ou cuias, a crina serve para pincéis, e o sangue e glândulas são destinados à indústria farmacêutica. Miúdos como testículos e cérebro também são utilizados na culinária.
Segundo dados do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), o número de bois abatidos corresponde ao de vergalhos produzidos. No terceiro trimestre de 2025, mais de 5 milhões de bovinos machos foram abatidos no Brasil, gerando um volume semelhante de pênis bovinos.
Não existem dados específicos sobre o volume exportado de vergalho, pois o produto é classificado junto a outras miudezas bovinas nos registros oficiais. Em 2025, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda externa dessas miudezas, que incluem rins e outras partes comestíveis.
O valor da tonelada do pênis bovino pode atingir até US$ 6 mil em mercados como Hong Kong, segundo o Imac. Esse preço supera o de outras miudezas, como o omaso, que alcança até US$ 5,5 mil por tonelada, e o bucho, com preço de até US$ 4 mil.
Mais de 90% das vendas do frigorífico Sul Beef são destinadas ao mercado asiático, enquanto o restante é comercializado no setor pet, que abrange Brasil, Paraguai e Estados Unidos. No entanto, o consumo do vergalho como afrodisíaco vem diminuindo na Ásia, especialmente entre os jovens, que adotam hábitos alimentares ocidentalizados.
Bruno de Jesus Andrade, diretor do Imac, compara a mudança de hábitos na China ao declínio do consumo de pratos tradicionais com miúdos no Brasil entre as gerações mais jovens. Para ele, o crescimento da indústria pet é o principal impulsionador da produção de vergalho no país.
O produto é considerado natural e nutritivo para os cães, o que contribuiu para sua industrialização e popularização como petisco prático no mercado interno. Em pesquisa online, foi possível encontrar preços que variam de R$ 12 a R$ 80 por unidade, dependendo do tamanho.
Assim, o pênis bovino no Brasil se destaca por ter múltiplas finalidades, atendendo a demandas distintas em mercados internacionais e domésticos. A cadeia produtiva integra diversas áreas, desde o abate até a fabricação de petiscos, contribuindo para o aproveitamento total do animal.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com