Mais de 546 mil trabalhadores no Brasil se afastaram do

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Mais de 546 mil trabalhadores no Brasil se afastaram do trabalho em 2025 por problemas relacionados à saúde mental, número recorde registrado pelo Ministério da Previdência Social. O levantamento, feito com dados do INSS e analisado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), aponta que mais de duas mil profissões tiveram afastamentos por transtornos mentais, sendo vendedor varejista, faxineiro e auxiliar de escritório as mais afetadas.

O total de afastamentos por saúde mental cresceu 15% em relação a 2024, confirmando a tendência de alta nos últimos dois anos. As doenças que mais motivaram as licenças foram ansiedade e depressão, com mais de 293 mil afastamentos somados. Outros transtornos, como transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo, também tiveram aumento nas licenças.

A análise detalhada da OIT e do MPT considera o período de 2012 a 2024, evidenciando que as profissões com maior número de afastamentos geralmente têm em comum contratos precários, pressão por metas, jornadas longas e exposição a riscos, principalmente no contato constante com o público e em atividades essenciais para a rotina urbana.

Especialistas afirmam que a insegurança no emprego e a alta rotatividade agravam os transtornos mentais entre trabalhadores dessas categorias. O procurador do Ministério Público do Trabalho, Raymundo Lima Ribeiro Júnior, destaca que a combinação de condições contratuais frágeis e excesso de trabalho influencia diretamente no estado mental dos trabalhadores.

A coordenadora nacional de fiscalização em riscos psicossociais, auditora fiscal do trabalho Odete Cristina Pereira Reis, acrescenta que o baixo salário e a falta de autonomia intensificam o estresse e o adoecimento mental. Segundo ela, o trabalhador em função de menor controle sobre sua atividade profissional enfrenta dificuldades para desenvolver habilidades e manter o equilíbrio emocional.

O Brasil também quebrou o recorde geral de afastamentos por doença em 2025, chegando a cerca de 4 milhões no total. O impacto financeiro para o sistema previdenciário atinge quase R$ 4 bilhões no ano, com benefícios pagos a uma média mensal de R$ 2.500 durante os cerca de três meses de afastamento. As mulheres representam quase 63% dos afastamentos, embora recebam, em média, salários menores que os homens.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que depressão e ansiedade causem a perda de 12 bilhões de dias úteis globalmente anualmente, com impacto econômico de cerca de US$ 1 trilhão por ano. Para o psiquiatra especializado em saúde do trabalho Wagner Gattaz, esses dados evidenciam a necessidade de medidas urgentes para conter o aumento dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho.

Entre as medidas previstas, estava a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) para incluir riscos psicossociais na fiscalização do Ministério do Trabalho. A mudança permitiria a aplicação de multas às empresas que mantivessem condições de trabalho prejudiciais à saúde mental dos funcionários. Contudo, após pressão de setores empresariais e sindicatos patronais, o governo adiou a implantação da norma, inicialmente prevista para abril de 2025, para maio deste ano. Segundo o Ministério do Trabalho, não haverá nova prorrogação do prazo.

O avanço dos afastamentos por saúde mental aponta para questões estruturais no mercado de trabalho brasileiro, com trabalhadores subordinados a contratos frágeis, alta pressão e pouca autonomia. A tendência de crescimento dos afastamentos evidencia um desafio importante para políticas públicas e para o ambiente empresarial, diante do impacto social e econômico causado pelos transtornos mentais no país.

Palavras-chave relacionadas: saúde mental no trabalho, afastamentos por doença, transtornos mentais, INSS, mercado de trabalho, Norma Regulamentadora NR-1, Ministério da Previdência Social, Organização Internacional do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, ansiedade, depressão, condições de trabalho, legislação trabalhista, custo econômico, burnout.

Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

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