Líderes da União Europeia (UE) e do Mercosul assinaram, em

Líderes da União Europeia (UE) e do Mercosul assinaram, em 17 de janeiro, em Assunção, Paraguai, um acordo de livre comércio que visa criar uma das maiores zonas de comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. A iniciativa ocorre em um momento de instabilidade global provocada pelas tarifas e ameaças comerciais dos Estados Unidos, que pressionam países a buscarem novas alianças comerciais.
O acordo entre a UE, formada por 27 países, e os membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — tem como objetivo reduzir tarifas e facilitar o comércio entre os blocos. O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, afirmou que o acordo envia uma mensagem clara sobre o comprometimento com tarifas baixas e comércio fluido.
No entanto, o Parlamento Europeu suspendeu o acordo poucos dias depois da assinatura, determinando um processo de revisão pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). A decisão reflete resistências políticas, especialmente da França, que manifesta preocupações quanto ao impacto da competição externa sobre a agricultura nacional.
Paralelamente, a UE obteve avanços em outro acordo comercial relevante. Em 27 de janeiro, durante a cúpula UE-Índia em Nova Délhi, foi finalizado um tratado histórico após quase 20 anos de negociações intermitentes. O acordo prevê eliminar ou reduzir tarifas em 96,6% das exportações de bens da UE para a Índia, gerando uma economia anual estimada em 4 bilhões de euros para as empresas europeias e potencial para dobrar as exportações até 2032.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, classificou o acordo como a “mãe de todos os acordos”, sinalizando a importância estratégica para seu país. O acordo deve fortalecer as relações econômicas entre os dois blocos e ampliar o acesso ao mercado indiano para produtos europeus.
Especialistas apontam que a estabilidade e confiabilidade da UE atraem países em busca de parcerias comerciais sólidas, especialmente diante da volatilidade causada pelos Estados Unidos. Peter Chase, do think tank alemão German Marshall Fund, destaca que os processos de ratificação e interesses políticos internos podem atrasar ou dificultar a implementação desses acordos.
A UE já mantém acordos preferenciais com 76 países e demonstra interesse em expandir sua presença em blocos comerciais importantes, como o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP), que agrega 12 países da Ásia e América e do qual o Reino Unido é o único membro europeu. Em 2025, a União Europeia planeja atualizar o acordo comercial com o México e finalizou negociações com a Indonésia.
Além disso, negociações seguem em curso com Malásia, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. A relação comercial com o Reino Unido, firmada em 2021, passará por sua primeira revisão completa este ano, em um esforço para superar tensões e ampliar a cooperação entre os dois blocos.
Especialistas sugerem que o foco atual da UE vai além de fechar novos acordos, destacando a necessidade de revitalizar a Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Peter Chase, a UE pode liderar uma coalizão internacional para restaurar o Estado de Direito nas regras do comércio global, enfrentando o descumprimento de compromissos pelos Estados Unidos e a postura da China em relação aos acordos internacionais.
Diante das mudanças e desafios no cenário comercial global, a União Europeia segue ajustando suas estratégias para reforçar o multilateralismo e ampliar suas parcerias, buscando estabilidade e segurança para o comércio entre seus membros e com o resto do mundo.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com