Previsões feitas na década de 1950 sobre inteligência artifi

Desde os anos 1950, pesquisadores já vinham debatendo as possibilidades e desafios da inteligência artificial (IA), que hoje é representada por chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude. O interesse em máquinas que imitam comportamentos humanos, especialmente em contextos como terapia ou companhia, persiste desde a criação do primeiro chatbot, Eliza, em 1966, o que mostra uma continuidade nos dilemas da área.
Joseph Weizenbaum, do MIT, desenvolveu Eliza para simular conversas, especialmente no formato de sessões terapêuticas, em um computador IBM 7094. O programa respondia com base em regras pré-definidas, criando a ilusão de diálogo, embora não compreendesse o conteúdo. Weizenbaum observou a surpresa do público ao se apegar emocionalmente à máquina, chegando a relatar que sua secretária pediu privacidade para conversar com o programa.
A discussão sobre a possibilidade de máquinas “pensarem” remonta a Alan Turing, que em 1950 publicou o artigo “Computing Machinery and Intelligence”. Turing antecipou críticas sobre aspectos teológicos e filosóficos que questionavam se máquinas poderiam ter consciência ou criar genuinamente, além de relacionar a IA a conceitos humanos. O debate se aprofundou em 1945, quando Turing participou do projeto do computador ACE no Reino Unido, acentuando o interesse militar e científico por computação.
Douglas Hartree, matemático da época, alertava para os riscos de atribuir capacidades humanas às máquinas, argumentando que isso poderia desviar o foco da verdadeira função dos computadores: ampliar o cálculo e o raciocínio humanos, não substituí-los. Hartree também preocupava-se com possíveis impactos sociais e políticos, temendo que a superestimação das máquinas pudesse apoiar formas autoritárias.
Os avanços tecnológicos impactaram o mercado de trabalho e as estruturas sociais. Na década de 1940, o termo “computador” referia-se a pessoas que realizavam cálculos, especialmente mulheres, cuja função foi extinta com as máquinas automatizadas. O pesquisador Bernardo Gonçalves destaca que a expansão da inteligência artificial desloca poder, afetando a economia e a vida das pessoas.
No fim do século 20, o campo da IA enfrentou crises, como o chamado “inverno da IA” nos anos 1970, impulsionado por relatórios que criticavam as promessas não cumpridas da área. Esse ciclo de expectativas exageradas e desilusões permanece atual, com as gigantes de tecnologia atraindo bilhões para desenvolver sistemas que geram polarização entre otimismo exagerado e ceticismo radical.
Ainda assim, Gonçalves ressalta que, desde 2022, houve avanços perceptíveis nos sistemas de IA, como o ChatGPT, capazes de automatizar atividades intelectuais antes preservadas da automação. Essa evolução, observa o pesquisador, tem impacto social e econômico significativo, reforçando a importância das discussões sobre a relação entre humanos e máquinas.
Ao longo de sete décadas, as questões fundamentais da IA se mantiveram: dúvidas sobre a consciência das máquinas, o apego emocional do usuário, os riscos sociais e políticos e a tensão entre usar tecnologia para apoiar ou substituir humanos. O passado revela debates que continuam a orientar o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial no presente.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com