O preço do ouro ultrapassou a marca de US$ 5.500 nesta semana, reflexo das tensões políticas e econômicas nos Estados Unidos, segundo o economista Sérgio Vale, do Instituto de Estudos Avançados da USP. Em entrevista ao podcast O Assunto, nesta quarta-feira (28), ele comparou essa alta ao sintoma de uma “febre do ouro”, indicando uma crise profunda no sistema econômico global.
Vale explicou que o aumento no valor do ouro funciona como um sinal de alerta, semelhante a uma febre no corpo humano, que mostra a existência de um problema subjacente. Ele ressaltou que, diferente das crises das décadas passadas, a atual instabilidade não apresenta solução simples, devido à persistência dos fatores que geram insegurança.
O economista citou os anos 1970, quando a alta do ouro foi controlada por medidas econômicas adotadas por Paul Volcker, então subsecretário do Tesouro dos EUA. Essas ações levaram ao fim do padrão ouro-dólar e à adoção do regime cambial flutuante, que mantém as moedas atreladas ao mercado, atualmente vigente. Vale conclui que, atualmente, não há “antibiótico” capaz de conter a crise pela sua natureza contínua e mais complexa.
Os principais fatores que impulsionam o valor do ouro são incertezas políticas e institucionais dentro dos EUA, junto a um agravamento da crise fiscal. O governo de Donald Trump tem promovido ataques à independência do Federal Reserve e enfrenta processos contra seus dirigentes, causando instabilidade financeira. Além disso, déficits elevados e a dificuldade do Congresso para implementar ajustes fiscais alimentam dúvidas sobre a solvência do país.
No âmbito internacional, a situação é marcada por tensões comerciais entre Estados Unidos e China, assim como por declarações controversas de Trump, como a intenção de adquirir a Groenlândia, que provocaram reações negativas nos mercados globais.
Na sexta-feira (30), Trump indicou o economista Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve após o fim do mandato de Jerome Powell, em maio. Warsh é considerado menos radical que outros possíveis candidatos e favorece a manutenção de juros baixos. A escolha recebeu boa recepção no mercado, levando ao fortalecimento do dólar e à queda do preço do ouro em 3,7%.
O avanço do ouro é interpretado como uma busca dos investidores por proteção em um ambiente de alto risco econômico e político. O metal precioso é historicamente visto como um ativo seguro em momentos de incerteza, reflexo da aversão ao risco predominante.
O podcast O Assunto, onde foi publicada a entrevista com Sérgio Vale, é produzido pelo g1 e está disponível em todas as plataformas digitais e no YouTube. Desde sua estreia em agosto de 2019, o programa acumula mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
Em resumo, o recorde no preço do ouro sinaliza preocupações sobre a estabilidade econômica dos Estados Unidos e do sistema financeiro global em um cenário marcado por crises políticas e fiscais, que dificultam a solução dos problemas existentes.
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Fonte: g1.globo.com
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