Economia

Bilionários da Califórnia reagiram à proposta de um imposto

Bilionários da Califórnia reagiram à proposta de um imposto
  • Publishedjaneiro 31, 2026

Bilionários da Califórnia reagiram à proposta de um imposto estadual de 5% sobre fortunas superiores a US$ 1 bilhão, que pode entrar em vigor a partir de janeiro de 2026 e motivou especulações sobre a saída deles do Estado. O debate ganhou força em dezembro de 2025, principalmente no Vale do Silício, após a divulgação da possível aprovação da medida em consulta popular marcada para novembro de 2026.

O governo da Califórnia enfrenta um déficit previsto de US$ 100 bilhões nos próximos cinco anos devido a cortes federais nos gastos com saúde, motivando a criação da proposta pelo sindicato SEIU-UHW. O objetivo do imposto é gerar receita para compensar os cortes, destinando 90% dos recursos para saúde pública e os restantes para alimentação e educação.

O imposto seria uma cobrança única e progressiva, atingindo bilionários com patrimônio líquido acima de US$ 1 bilhão, com alíquota máxima de 5% sobre valores a partir de US$ 1,1 bilhão. A cobrança poderia ser parcelada em até cinco anos. A proposta, no entanto, depende da coleta de 875 mil assinaturas para ser incluída na cédula eleitoral.

Bilionários como David Sacks e Peter Thiel divulgaram publicamente mudanças de domicílio fiscal para outros Estados, como Texas e Flórida, após a ameaça de taxação. Outros, como os fundadores do Google Sergey Brin e Larry Page, também transferiram ativos para fora da Califórnia antes do Natal de 2025. Ainda assim, alguns empresários como Jensen Huang (CEO da Nvidia) e Brian Chesky (fundador do Airbnb) afirmaram que permanecerão no Estado.

O debate evidenciou divisões tanto no setor tecnológico, quanto no Partido Democrata, que domina a política local. O governador Gavin Newsom, alinhado ao partido e com laços com a indústria, declarou oposição à medida, alegando que o imposto poderia prejudicar a inovação e a economia da Califórnia. Por outro lado, líderes progressistas, como o senador Bernie Sanders e o deputado Ro Khanna, apoiam a taxação.

Especialistas envolvidos na proposta argumentam que o imposto aborda uma disparidade fiscal, pois os bilionários pagam uma porcentagem menor de seus rendimentos econômicos em comparação à classe média. O foco no patrimônio líquido, ao invés da renda, visa tributar ativos que não são normalmente comercializados ou declarados como renda tributável, como ações mantidas em longo prazo.

Pesquisas indicam que o impacto da saída de bilionários seria limitado, pois mudar o domicílio fiscal exige mais do que a simples mudança de residência, envolvendo vínculos sociais, comerciais e familiares. Além disso, experiências anteriores da Califórnia com impostos sobre milionários não resultaram em êxodos significativos.

Críticos da proposta alertam para os possíveis efeitos negativos sobre o setor de tecnologia, como a necessidade de venda de ativos para pagar o imposto, o que poderia desvalorizar empresas e reduzir a capacidade de investimento das startups. Há temores sobre a migração de talentos e capital para estados com cargas tributárias menores.

Se aprovada, a nova taxação entraria em vigor em 2027, com base no patrimônio líquido declarado em 31 de dezembro de 2026. Apesar de sua aprovação ser incerta e contestada judicialmente, a proposta reabre o debate sobre desigualdade fiscal e estratégias para aumentar receitas estaduais diante de desafios orçamentários.

A discussão na Califórnia reflete uma tendência nacional de questionar a tributação de grandes fortunas, em um contexto de crescente desigualdade e demanda por maior contribuição dos mais ricos para serviços públicos. A proposta busca equilibrar receitas e gastos, com convicções divergentes sobre seus efeitos econômicos e sociais.

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Fonte: g1.globo.com

Imagem: s2-g1.glbimg.com


Fonte: g1.globo.com

Written By
Caio Marcio

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