O dólar atingiu nesta terça-feira (27) seu menor valor em

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O dólar atingiu nesta terça-feira (27) seu menor valor em quatro anos frente a uma cesta de moedas, em meio a tensões comerciais e expectativas de mudanças nas políticas econômicas dos Estados Unidos. A moeda americana também apresentou queda expressiva ante o euro e a libra esterlina, recuando cerca de 3% em uma semana, reflexo da instabilidade econômica gerada principalmente pelas tarifas de importação anunciadas em 2025 e pelo aumento das disputas comerciais.

O índice do dólar, que acompanha sua valorização em relação a várias outras moedas, registrou uma queda de quase 10% em 2025, o pior desempenho desde 2017. Parte desse movimento ocorreu após o anúncio das tarifas de importação pelo governo americano, conhecido como “Dia da Libertação”, e agravou-se com o aumento das tensões diplomáticas com a Europa envolvendo a Groenlândia. Investidores também reagiram a rumores de que os Estados Unidos poderiam realizar intervenções cambiais ao lado do Japão para enfraquecer o dólar e fortalecer o iene.

Especialistas atribuem a desvalorização do dólar às incertezas provocadas pelas políticas econômicas irregulares do governo do presidente Donald Trump. Robin Brooks, do Instituto Brookings, aponta que a instabilidade nas decisões governamentais levou os mercados a reagirem negativamente, refletindo a percepção de que essas políticas podem prejudicar a economia americana. Thierry Wizman, do grupo Macquarie, destaca que a intensificação recente das disputas comerciais desencorajou investidores a manterem posições em dólar, elevando as apostas em oscilações futuras da moeda.

Além das tensões políticas, outros aspectos contribuem para a queda do dólar, como o aumento das oportunidades de investimento em mercados estrangeiros e movimentos recentes no mercado japonês de títulos. Esses fatores levaram traders a apostar em diferenças cambiais entre o dólar e o iene. Comentários oficiais, como os do secretário do Tesouro americano Scott Bessent, negando intervenções cambiais para ajudar o Japão, ajudaram a conter temporariamente a queda da moeda, mas as incertezas permanecem.

Com a saída de recursos do mercado americano, o ouro se valorizou, dobrando de preço em 2025, ao ser visto como ativo de menor risco em meio à volatilidade. O euro e a libra esterlina também avançaram em relação ao dólar neste início de 2026, assim como moedas de mercados emergentes, conforme dados da Oxford Economics. Investidores institucionais europeus reduziram sua exposição ao mercado de títulos americano, embora ainda não haja uma evasão significativa de posições em ativos financeiros dos Estados Unidos em geral.

Apesar desse cenário, analistas do ING projetam que a queda do dólar pode chegar a 4% a 5% ao longo de 2026, alinhada a expectativas de maior crescimento econômico fora dos Estados Unidos. O mercado acionário americano, no entanto, continua apresentando valores próximos a recordes históricos, e a volatilidade nos títulos públicos do país permanece controlada.

A perspectiva sobre a política monetária americana também impacta as expectativas para o dólar. A nomeação de Kevin Warsh para presidente do Federal Reserve, indicação feita pelo presidente Trump e que aguarda confirmação do Senado, reforça a aposta de que o Banco Central poderá reduzir as taxas de juros. Uma queda nos juros tende a enfraquecer o dólar, pois tornou-se menos atrativa para investidores buscando retorno de capital.

Trump já expressou publicamente preferência por um dólar mais fraco, argumentando que isso pode melhorar a competitividade das exportações americanas. Em julho passado, afirmou que, apesar dos efeitos negativos aparentes, um dólar desvalorizado gera maiores lucros. Na mesma linha, uma queda no valor da moeda pode beneficiar empresas nacionais, embora especialistas advirtam que resultados positivos dependem das causas da desvalorização.

Robin Brooks alerta que se o enfraquecimento do dólar ocorrer devido a avaliações negativas do mercado sobre as políticas governamentais, isso pode ser um sinal preocupante para a economia. O futuro do dólar dependerá, em grande parte, do desempenho econômico dos Estados Unidos e das ações do Federal Reserve na política de juros, além da resposta dos investidores às dinâmicas políticas e comerciais internacionais.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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