Excesso de carinho, banhos frequentes e longos períodos

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Excesso de carinho, banhos frequentes e longos períodos de solidão afetam o bem-estar dos cães, alertou a veterinária Ana Luísa Lopes em entrevista à BBC News Brasil. Ela afirmou que a maneira como os tutores interagem e cuidam dos animais pode gerar estresse e problemas comportamentais.

A especialista, que tem mestrado em comportamento animal pela University of Lincoln, ressaltou que é fundamental observar a linguagem corporal dos cães para identificar sinais de desconforto. Lopes destacou que forçar o contato físico, como pegar o cão no colo ou fazer carinho insistente sem consentimento, pode causar estresse e até mordidas. Entre os sinais de incômodo estão lambidas no focinho, bocejos, desvios de olhar e tentativas de afastamento.

Quanto à higiene, Ana Luísa chamou a atenção para os banhos frequentes, que podem ser estressantes para algumas raças e pelagens. Ela recomendou a adaptação cuidadosa do animal à rotina de banho, preferencialmente com profissionais treinados que utilizem técnicas de “baixo estresse”. No caso de cães de pelo curto, a indicação é que o banho seja feito, em média, uma vez por ano, enquanto cães de pelo longo podem precisar de banho a cada 15 ou 20 dias, dependendo do grau de sujeira.

A veterinária criticou o uso de banheiras ofurô, comuns em alguns pet shops, por provocarem desconforto nos cães ao mantê-los em espaços confinados e imersos em água. Ela alertou que, apesar de parecer inofensivo para humanos, esse tipo de banho pode ser fonte de estresse para os animais.

Sobre o tempo que os cães passam sozinhos, Lopes afirmou que o hábito de deixá-los por 10 a 12 horas diariamente pode causar ansiedade e comportamentos destrutivos. Ela recomendou a contratação de pet sitters ou passeadores que façam companhia e proponham atividades durante o dia, reduzindo a solidão e auxiliando na adaptação de animais recém-chegados.

Além disso, a veterinária enfatizou a importância de fornecer brinquedos adequados para que os cães possam manifestar comportamentos naturais, como roer e cavar. Lopes explicou que tentar reprimir esses comportamentos sem oferecer alternativas pode aumentar a ansiedade, o latido excessivo e a agitação.

Ela ressaltou que a compreensão da individualidade de cada animal é essencial para oferecer os cuidados adequados. Por exemplo, cães que destroem objetos sólidos precisam de brinquedos robustos, enquanto aqueles que cavam o jardim devem ganhar um espaço próprio para essa atividade.

A veterinária alertou para o risco de comportamentos indesejáveis e até devolução de animais devido à falta de atenção e ao manejo inadequado. Ela reforçou que muitos problemas surgem da imposição de situações desconfortáveis aos cães, seja pela insistência em contato físico, pela frequência excessiva de banhos ou por longas horas de isolamento.

Conclui-se que o equilíbrio entre atenção, respeito ao espaço do animal, cuidados adequados e estímulos físicos e mentais é essencial para garantir a saúde emocional e física dos cães. Ajustar as práticas à individualidade do cão evita sofrimento e fortalece a convivência entre tutores e seus pets.

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Fonte: g1.globo.com

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Fonte: g1.globo.com

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