O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou à Pol

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou à Polícia Federal que não há clareza de fraude nas operações envolvendo o Banco Master. O depoimento foi prestado no contexto das investigações sobre a compra de carteiras de crédito pelo banco público.
Paulo Henrique afirmou que o que foi identificado pelo BRB foi uma mudança no padrão documental e na forma de originação dos créditos, mas não indícios de inexistência dos ativos. Segundo ele, “não temos clareza até hoje que isso foi uma fraude”. Os arquivos indicavam a ocorrência regular de averbações e débitos mensais nas operações.
Ele explicou que a operação envolvia cerca de R$ 12 bilhões, aproximadamente 400 mil CPFs e cerca de 1 milhão de contratos. Ao adquirir os créditos, o banco seguiu os procedimentos usuais de mercado, incluindo o registro das operações e o envio das informações ao Banco Central.
Paulo Henrique também ressaltou que, apesar de algumas reclamações registradas na ouvidoria, não houve relatos de clientes negando a existência dos créditos após serem informados sobre a origem das operações. Ele mencionou ainda que testes feitos em uma amostra de cerca de 130 contratos constam em relatório do Banco Central.
A Polícia Federal investiga as operações entre o Banco Master e o BRB após acareação realizada no fim de dezembro entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e Paulo Henrique. Ambos apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público.
Vorcaro afirmou ter informado ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis vendidos pertenciam à empresa Tirreno. Paulo Henrique, por sua vez, afirmou que o banco entendia tratar-se de créditos originados pelo próprio Master, negociados posteriormente com terceiros e revendidos ao BRB.
Os vídeos da acareação foram divulgados pelo portal “Poder360” e tornados públicos por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
A investigação da PF apura possível omissão dos gestores do BRB e falhas nos métodos de governança e prudência na aquisição das carteiras, que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco. Segundo a apuração, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025, teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e revendido esses ativos ao BRB, que desembolsou cerca de R$ 12 bilhões.
Em depoimento à PF, o diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a governança do BRB deveria ter sido capaz de verificar a existência dos créditos adquiridos, ressaltando falhas nos mecanismos do banco público. Segundo ele, a supervisão do Banco Central questionou o BRB diversas vezes por meio de ofícios oficiais sobre a geração dos créditos adquiridos do Banco Master.
Em nota, o Banco Central destacou que acompanha permanentemente as condições de liquidez das instituições financeiras para preservar a estabilidade do sistema. O BC ressaltou, no entanto, que cabe a cada instituição a responsabilidade exclusiva pela análise da qualidade dos créditos adquiridos e pela manutenção dos controles internos para o gerenciamento dos riscos.
Paulo Henrique declarou que, ao identificar o padrão documental diferente, o BRB ampliou auditorias, comunicou o Banco Central e adotou medidas para proteger o banco. Entre as ações, destacou a exigência de garantias e a substituição dos ativos. Segundo ele, cerca de R$ 10,5 bilhões já foram substituídos, restando aproximadamente R$ 2,5 bilhões. O BRB mantinha cerca de R$ 9 bilhões em garantias constituídas.
As investigações continuam para esclarecer a responsabilidade dos envolvidos e a extensão dos impactos financeiros para o BRB.
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Fonte: g1.globo.com
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