O cão comunitário conhecido como Orelha morreu após

O cão comunitário conhecido como Orelha morreu após ser torturado por quatro adolescentes em um bairro nobre de Florianópolis (SC). A Polícia Civil investiga o caso, que chamou a atenção da comunidade local e do país, enquanto as circunstâncias exatas das agressões ainda são apuradas.
Os jovens também são suspeitos de tentar afogar outro cão, chamado Caramelo, que sobreviveu à agressão na Praia Brava. Não há indícios até o momento de que esses adolescentes tenham ligação com redes virtuais que promovem tortura de animais.
Especialistas alertam para a existência de comunidades online globais que estimulam o zoosadismo, prática que envolve ferir ou torturar animais por prazer, muitas vezes compartilhando vídeos com conteúdos violentos na internet. Essas redes funcionam como espaços de radicalização que envolvem adultos, jovens e até crianças.
O procurador de Justiça Fábio Costa Pereira destaca que a violência contra animais integra um conjunto maior de comportamentos associados à radicalização e à perda do senso das consequências no mundo real. Para ele, famílias e instituições educacionais precisam atuar na prevenção desse tipo de prática entre jovens.
Casos de zoosadismo ganharam repercussão internacional nos últimos anos. Em 2023, a BBC divulgou uma investigação sobre uma rede global de tortura a filhotes de macacos, envolvendo clientes dos Estados Unidos e Reino Unido que pagavam para a prática na Indonésia. A CNN também reportou a expansão dessas comunidades para plataformas populares como Telegram, X e YouTube, onde grupos promovem violência extrema contra gatos.
No Reino Unido, dois adolescentes foram presos após torturarem e matarem filhotes de gato mutilados em uma área verde de Londres. Organizações de defesa animal vêm pedindo maior controle das plataformas digitais sobre conteúdo que incentiva maus-tratos e violência contra animais.
Uma coalizão internacional de 45 entidades recebeu denúncias de mais de 80 mil links suspeitos em 2024, dos quais apenas 36% foram removidos. A maioria dos conteúdos estava hospedada no Facebook e Instagram, redes pertencentes à Meta. O material denunciado envolvia principalmente macacos, gatos e cachorros, inclusive espécies ameaçadas.
O Reino Unido impôs em 2023 a obrigatoriedade de remoção desses conteúdos sob multa que pode chegar a 18 milhões de libras esterlinas ou 10% do faturamento anual das plataformas. No Brasil, maus-tratos a animais são crime punido com detenção de três meses a um ano, com pena ampliada para dois a cinco anos em casos de cães e gatos, desde 2020.
Apesar disso, ativistas denunciam que punições para crimes contra animais silvestres frequentemente se transformam em medidas alternativas e pedem equiparação das penas entre animais domésticos e silvestres. Dados do Conselho Nacional de Justiça apontam aumento de 1.400% nos processos por maus-tratos desde 2021, após a ampliação das regras.
Na última terça-feira (27), outro cão comunitário chamado Abacate, em Toledo (PR), foi baleado e teve o intestino perfurado, morrendo durante cirurgia veterinária. A polícia local investiga o caso.
O episódio com Orelha traz à tona a necessidade de maior conscientização e atuação para impedir a tortura de animais, tanto nas ruas quanto no ambiente digital. A primeira-dama Janja da Silva afirmou que o caso evidencia o impacto da exposição precoce a conteúdos que banalizam a violência.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com