A China executou 11 membros da família Ming

A China executou 11 membros da família Ming, um clã mafioso que administrava centros de golpes pela internet e traficação de pessoas na fronteira com Mianmar, conforme informado pela mídia estatal nesta quinta-feira (29). A ação ocorreu na província de Zhejiang, após condenação por crimes como homicídio, cárcere privado, fraudes e operação de cassinos clandestinos.
Os Ming controlavam a cidade de Laukkaing, em Mianmar, transformando-a em um polo de jogos de azar e prostituição. O império criminoso desmoronou em 2023, quando os membros foram capturados e entregues à China por milícias étnicas que assumiram o controle da região durante o conflito com o Exército de Mianmar.
A ofensiva contra o clã faz parte da estratégia chinesa para combater redes de golpes online que lesam principalmente cidadãos chineses. Estima-se que centenas de milhares de pessoas foram traficadas para atuar nesses esquemas no sudeste asiático, incluindo milhares de chineses vítimas e envolvidos. A China acusou também as autoridades militares de Mianmar de omissão e possível conivência com essas operações ilícitas.
Em resposta, Pequim apoiou uma aliança rebelde no Estado de Shan no fim de 2023, que conseguiu capturar territórios importantes, incluindo Laukkaing. As execuções reforçam a mensagem das autoridades chinesas contra a criminalidade organizada transnacional, embora as atividades ilegais tenham migado para outras fronteiras da região, como a que liga Mianmar a Tailândia, Camboja e Laos, locais onde a influência chinesa é menor.
O julgamento da família Ming ocorreu a portas fechadas, mas contou com a presença de mais de 160 pessoas, entre familiares das vítimas. Os crimes cometidos pelo grupo geraram um prejuízo superior a 10 bilhões de yuans (cerca de R$ 7,48 bilhões) entre 2015 e 2023, segundo a Suprema Corte chinesa. Além das execuções, mais de 20 integrantes do clã receberam penas que variam de cinco anos a prisão perpétua.
Ming Xuechang, patriarca da família, cometeu suicídio em 2023 ao tentar evitar a prisão, conforme informou o Exército de Mianmar. Documentários da mídia estatal exibiram confissões dos presos para evidenciar o esforço do governo chinês em desmantelar essas redes criminosas.
A família Ming se destacou na região desde o início dos anos 2000, após a queda do antigo chefe militar da cidade. Seu centro principal de golpes ficou conhecido como “a Vila do Tigre Agachado”. Inicialmente, as fontes de renda eram jogos de azar e prostituição, mas evoluíram para esquemas complexos de fraude online, com participação de pessoas sequestradas e forçadas a aplicar os golpes.
Testemunhos de trabalhadores libertados revelam a cultura de violência dentro dos complexos controlados pelos Ming, onde espancamentos e torturas eram frequentes. Esses relatos reforçam as denúncias das autoridades sobre as condições coercitivas impostas aos envolvidos nas fraudes.
Além da família Ming, outras organizações criminosas estão sendo investigadas e julgadas na China. Cinco membros da família Bai foram condenados à morte em novembro, enquanto os casos das famílias Wei e Liu ainda aguardam sentença.
As execuções dos membros da família Ming marcam um episódio significativo na luta da China contra crimes transfronteiriços envolvendo fraudes cibernéticas e tráfico de pessoas na região do sudeste asiático.
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Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com