O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (27) que o valor do dólar é “ótimo”, apesar da moeda americana atingir o menor nível em quatro anos. A declaração foi feita em Urbandale, Iowa, enquanto Trump buscava apoio de eleitores rurais para as eleições do Congresso em novembro.
A queda do dólar ocorre em meio a expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, incertezas relacionadas a tarifas comerciais, volatilidade nas políticas do governo, incluindo ameaças à independência do banco central, e aumento dos déficits fiscais que afetam a confiança dos investidores na economia dos EUA.
Após os comentários de Trump, o índice do dólar, que mede a força da moeda em relação a uma cesta de seis divisas principais, caiu para 95,566 pontos, menor nível desde fevereiro de 2022. A cesta inclui o euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.
Trump afirmou que prefere que o dólar “encontre seu próprio nível” e negou buscar uma desvalorização intencional da moeda. Ele também mencionou que, no passado, criticava países como China e Japão pelas práticas de desvalorização cambial.
Nos últimos dias, o dólar tem sofrido pressão diante de expectativas de uma possível intervenção cambial coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, que se valorizou cerca de 4% em duas sessões seguidas. Comentários sobre verificações de taxas entre os dois países alimentaram as especulações.
Especialistas destacam que a posição do presidente pode estimular vendas da moeda. Segundo Steven Englander, chefe de pesquisa global de moedas do Standard Chartered, “quando o presidente demonstra indiferença ou endossa o movimento, isso encoraja vendedores de dólares a continuar pressionando”.
Apesar da fraqueza, um dólar mais baixo apresenta alguns benefícios para a economia americana. A moeda desvalorizada favorece exportadores ao tornar seus produtos mais competitivos no mercado internacional e facilita a conversão de receitas obtidas no exterior por empresas multinacionais.
Além disso, a moeda mais fraca reduz o custo do pagamento de dívidas em dólares para países estrangeiros e empresas que possuem essas obrigações, diminuindo a necessidade de moeda local para honrar os compromissos.
Eugene Epstein, chefe de operações da Moneycorp, observou que o governo americano “quer um dólar mais fraco” para ajudar a melhorar o déficit comercial do país. Para ele, a postura de Trump indica preocupação com o equilíbrio das contas externas.
Por outro lado, strategistas alertam que o movimento pode causar impactos inflacionários, já que produtos importados ficam mais caros. Steve Sosnick, estrategista da Interactive Brokers, afirmou que o dólar mais fraco é “uma faca de dois gumes”, pois beneficia multinacionais, mas pode elevar o custo de bens importados e pressionar a inflação.
O cenário atual reflete um ambiente de incertezas econômicas e políticas que influenciam diretamente a atuação dos mercados cambiais e a percepção sobre a moeda americana.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com