O dólar comercial fechou no menor valor desde

O dólar comercial fechou no menor valor desde 28 de maio de 2024, iniciando 2026 com uma trajetória de queda frente ao real, resultado de fatores internos e externos que alteram o cenário econômico e financeiro brasileiro.
No âmbito internacional, o dólar perdeu força diante das expectativas de redução das taxas de juros nos Estados Unidos e do aumento das incertezas políticas no país, diminuindo a atratividade da moeda americana para investidores globais.
Internamente, o Brasil tem se destacado como destino de capital estrangeiro pela combinação do elevado diferencial de juros e da taxa básica Selic no maior patamar em quase duas décadas. Esse cenário favorece a estratégia de “carry trade”, em que investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com retornos mais elevados, como o brasileiro.
Parte desses investimentos tem sido direcionada à Bolsa brasileira, que renovou recordes e superou os 180 mil pontos, aumentando a entrada de dólares no país e contribuindo para a pressão de queda sobre o dólar.
A valorização do real impacta diretamente o consumo, reduzindo custos de importação de produtos como eletrônicos, eletrodomésticos e medicamentos, o que pode levar a preços mais baixos ou menor reajuste desses itens. Isso representa alívio para o bolso do consumidor e tende a diminuir a pressão inflacionária.
Além disso, os gastos com viagens internacionais, passagens aéreas, pacotes turísticos e serviços atrelados ao dólar, como assinaturas de streaming e compras em sites estrangeiros, também ficam mais baratos para os brasileiros.
Esses efeitos colaboram para a melhora das expectativas inflacionárias e criam um cenário que pode permitir ao Banco Central avaliar o início do corte na taxa Selic. A inflação acumulada em 12 meses desacelerou nos meses finais de 2025, refletindo esse momento de menor pressão inflacionária.
No mercado financeiro, a valorização do real beneficia especialmente setores ligados ao consumo interno, como varejo, construção civil, educação, saúde, transporte e serviços. Empresas exportadoras, no entanto, enfrentam desafios, pois a moeda mais forte reduz suas receitas em reais e pressiona margens e competitividade.
Com o dólar operando de forma mais estável, diminui o risco de novas pressões inflacionárias vindas do câmbio, o que favorece investimentos em renda fixa com regras definidas, como títulos prefixados e atrelados à inflação. No entanto, a expectativa de cortes futuros na Selic pode limitar o potencial de retorno dessas aplicações.
Especialistas recomendam que investidores façam ajustes estratégicos nas carteiras, alinhando riscos e objetivos ao novo patamar cambial. Muitos ganhos obtidos na valorização do dólar em 2024 já foram realizados, e o cenário atual favorece revisões de alocações.
Apesar desse quadro, o principal risco para a trajetória de queda do dólar é a instabilidade política, especialmente com a aproximação do período eleitoral a partir de abril de 2026. O debate político tende a influenciar a formação de preços dos ativos, podendo reduzir o impacto dos fundamentos macroeconômicos.
A questão fiscal permanece sensível nesse contexto. A falta de sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas públicas pode afetar a confiança dos investidores e reverter a tendência de valorização do real.
Em um cenário de maior incerteza política, o “prêmio de risco do Brasil” pode aumentar, elevando o custo para aplicação no país e pressionando o dólar para cima. Isso pode refletir negativamente na inflação e nas expectativas para a taxa básica de juros.
Apesar da recente queda, o dólar voltou a operar acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã de 9 de abril de 2026, diante do acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, demonstrando a sensibilidade da moeda às variáveis internacionais e políticas.
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Fonte: g1.globo.com
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Fonte: g1.globo.com