Após uma alta de quase 34% em 2025, o Ibovespa iniciou 2026 registrando novos recordes e acumulando valorização de cerca de 13% em janeiro, gerando otimismo entre investidores da Faria Lima. O principal índice da bolsa brasileira alcançou nesta terça-feira (27) 181.919 pontos, impulsionado por expectativas relacionadas a cortes de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além da busca por mercados emergentes diante de instabilidades globais.
O Banco Central do Brasil deve reduzir a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, para cerca de 12,25% até o fim de 2026. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve já cortou os juros em 2025 e há expectativa de novos recuos. Juros menores diminuem o apelo dos títulos americanos mais seguros, direcionando capital a ativos de maior risco, como as ações brasileiras, e valorizando o real.
As tensões geopolíticas provocadas pelo governo americano, especialmente sob Donald Trump, têm desestabilizado economias desenvolvidas, reforçando a posição do Brasil como destino para investidores que buscam alternativas. Em 2025, estrangeiros investiram R$ 25,4 bilhões na bolsa brasileira, e em janeiro de 2026 já aplicaram R$ 8,7 bilhões líquidos em ações locais, segundo dados da Santander Corretora.
Apesar do cenário favorável, a volatilidade deve marcar o ano por causa dos riscos políticos e econômicos. A imprevisibilidade das políticas de Trump e o calendário eleitoral brasileiro em outubro são apontados como principais fontes de incerteza. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro impactou negativamente o mercado no final de 2025, enquanto pesquisas recentes indicam uma disputa apertada entre ele e Lula, influenciando a oscilação do dólar e do Ibovespa.
Especialistas alertam que, embora o potencial de valorização exista, os riscos fiscais do Brasil ainda são um desafio. O país enfrenta dificuldades nas contas públicas, o que pode limitar o avanço da bolsa em comparação a outras nações emergentes, como Polônia, Coreia do Sul e Colômbia. Além disso, pressões inflacionárias globais decorrentes de políticas comerciais americanas podem afetar o desempenho das grandes empresas brasileiras.
Para 2026, as projeções mais otimistas indicam possibilidade de o Ibovespa superar os 200 mil pontos pela primeira vez. O Itaú BBA prevê o índice em até 185 mil pontos, podendo alcançar 252 mil em cenário positivo. A Santander Corretora projeta 195 mil pontos ao final do ano. No entanto, analistas destacam que a trajetória não será linear, dada a instabilidade prevista.
O avanço da bolsa em 2025 foi sustentado por cortes de juros estrangeiros, movimentações do capital diante das incertezas globais e expectativa de ajustes econômicos no Brasil. A resiliência do país em disputas comerciais, ações com preços atrativos e a proximidade das eleições contribuíram para o desempenho.
Em suma, o Ibovespa mantém otimismo em 2026, mas enfrenta riscos ligados a decisões políticas e contextos econômicos internacionais. A volatilidade deve ser a característica mais marcante do mercado ao longo do ano.
—
Palavras-chave relacionadas: Ibovespa 2026, bolsa brasileira, corte de juros, juros Selic, Federal Reserve, mercado emergente, investimentos estrangeiros, volatilidade mercado, eleições Brasil 2026, política econômica Brasil, Faria Lima, valorizações Ibovespa, investimentos em ações.
Fonte: g1.globo.com
Imagem: s2-g1.glbimg.com
Fonte: g1.globo.com

